quinta-feira, novembro 13, 2003

Burning season

Um clima praiano permeia a cidade. O verão chega trazendo pouca roupa e muita gente para as ruas. A brisa é leve, as conversas alegres. Foi só o calor bater para que todos saíssem de suas tocas e buscassem o contato com o outro. Cerveja gelada, botequim de esquina. Nesta, mais do que nas outras estações, os amores nascem e morrem freneticamente, como se fossem obrigados a seguirem o ritmo do resto da vida.
O dia foi o mais quente do ano. A lua brilha no alto, pronta para virar a cabeça dos menos afortunados. As crianças têm seus sonos invadidos pelo incômodo dos lençóis molhados do suor de sonhos forrados de brincadeiras intensas.
Isto é São Paulo, 12 de novembro e 34,5 graus Celsius.

segunda-feira, novembro 10, 2003

Do final. O da semana e de todo resto

Viagem, festa, amigos. Alegria incontida. E alguma tristeza escondida.
Foi um final de semana especial, sem dúvida alguma. Ribeirão Preto é longe demais. E quente como o inferno. Porém, o calor foi devidamente amenizado por muita (mas MUITA mesmo) cerveja gelada.

Era uma dessas situações-chave que a realidade, vez por outra, nos traz. Formatura. De uma das pessoas de que eu mais gosto nessa vida. Um irmão, amigo pra vida toda. Além dele, toda a turma estava presente. Pessoas que escolheram os caminhos mais diversos entre si (engenheiros, médicos, administradores, jornalistas...), mas que ainda mantém em comum aquela amizade que já transcendeu o simples grupo de amigos e os transformou numa família.

Ali pude perceber a minha sorte. Existem pessoas que não têm amigos. Outros têm um ou outro apenas. Eu não. Tenho um grupo. Um belo grupo. Obviamente sou mais próximo de uns do que de outros, mas com qualquer um deles me sinto em casa. Me senti em casa em Ribeirão.

Nesta viagem pude perceber também que se já sou retardado assim, sem eles teria me perdido completamente. Mais do que uma simples companhia, meus amigos me deram um norte, foram um farol na escuridão da minha ignorância e inaptidão social. Com seus padrões altos em todos os sentidos, eles acabaram me forçando a me dedicar mais em tudo, para continuar sendo um deles. Tenho muito orgulho em fazer parte de um grupo tão especial.

E eu pude dizer isso a algumas das pessoas ali reunidas. Agradecimentos que eu havia deixado passar por muito tempo. Dizer da alegria que é poder partilhar da minha vida com todos eles. Ninguém (ou muito poucos) imaginam que no fundo eu sou esse cara triste, fechado e depressivo. Pq ao lado deles é impossível ser assim. Eu sempre me animo. O bem que me fazem é incrível.

Foi muito bom também encontrar pessoas do passado, de uma época muito mais simples, pura e feliz. E ver que elas não me esqueceram, assim como eu nunca as esqueci. Dizer a elas como foi importante conviver com elas naqueles tempos, de como eles fazem parte da história da minha vida. E ouvir em troca que eu também faço parte da história da vida delas.

Porém, no meio de tanta alegria, a tristeza também apareceu. Mesmo com tantas pessoas queridas, em alguns momentos tudo pareceu perdido. A solidão bateu mais forte do que nunca. Aquela idéia recorrente de estar sozinho num salão cheio de gente se concretizou de forma plena. Eu precisava de alguém para compartilhar tudo aquilo. Mas essa pessoa não existe. E isso dói.

Parece que todos os finais de ano trazem alguma forma de decisão. Em 2003, pelo jeito, vai ser a de me livrar completamente de certos paradigmas pelo quais me coloquei como indivíduo. Se houve evolução, ela ainda foi pequena. Há muitos demônios para serem destruídos aqui dentro. O bom é saber, ter a certeza, de que não terei que passar por isso sozinho.

quarta-feira, novembro 05, 2003

Choices

Escolhas erradas na hora errada. Eu não aprendo mesmo... não posso fazer nada na hora do impulso, da raiva, quando meus olhos nublam e a consciência voa.

Mas faço, continuo fazendo e errando. Talvez um pouco menos do que no passado. Mas erros são erros, não dá para negá-los. Você os comete e o pior é aquele microsegundo depois, em que todo o processo que será desencadeado por sua ação torta vem à sua mente e é possível enxergar claramente todas as ramificações do ato.

Dói, não é?
Sim, dói. E de dor eu entendo bem mais do que gostaria.

segunda-feira, novembro 03, 2003

Um e apenas um

Apesar do desejo forte, da vontade indescritível, algo cria uma certa estática no fundo da minha mente.
Não acredito que eu esteja hoje mais disposto a compartilhar da minha vida do que estava no passado. Vejo amigos que namoram, que vivem uma vida integrada com seus respectivos parceiros. E isso me incomoda.
Por um lado, isto é um sintoma da realização pela qual passo atualmente. De não dar satisfação a ninguém, de ter minha vida, minha casa, de não ser ligado intimamente nada. Não me sentir preso de forma alguma.
Este era um objetivo que persegui por muito tempo. E demorou muito para que eu alcançasse este estágio. Dessa forma, não vou perdê-lo facilmente.

Outro fator é que, como diz aquele velho ditado, "Cachorro mordido de cobra tem medo de lingüiça". Ou seja, depois de me jogar no meio do furacão, me seguro fortemente antes de tentar qualquer outra coisa. É um elemento de defesa natural.
O último fator que me afasta de qualquer aprofundamento é, principalmente, meu isolamento natural das coisas e das pessoas. Sou solitário por natureza. Vivo no meu mundinho e não gosto de dividi-lo e nem de deixar ninguém entrar nele.

Assim sendo, esses fatores me fazem pisar no freio antes de tomar qualquer decisão. Antes de me jogar sem olhar para trás.

Eu penso demais nas possibilidades. Deveria ir e pronto. Só pra ver o que acontece.

Talvez eu vá.

sábado, novembro 01, 2003

Soundtrack

Trilha sonora do final de semana. Olha, eu sempre só coloco as letras das músicas. Mas hoje, além disso, recomendo que vocês baixem essa maravilha e ouçam por vocês mesmos. Essa é demais.

Drift Away
Uncle Cracker

Day after day I'm more confused
But I look for the light through the pourin' rain
You know, that's a game, that I hate to loose
I'm feelin' the strain, ain't it a shame

[CHORUS:]
Give me the beat boys and free my soul
I wanna get lost in your rock and roll and drift away
Give me the beat boys and free my soul
I wanna get lost in your rock and roll and drift away

Won't you take me away

Beginin' to think, that I'm wastin' time
And I don't understand the things I do
The world outside looks so unkind
I'm countin' on you, you can carry me through

Give me the beat boys and free my soul
I wanna get lost in your rock and roll and drift away
Give me the beat boys and free my soul
I wanna get lost in your rock and roll and drift away

Won't you take me away

And when my mind is free
You know your melody can move me
And when I'm feelin' blue
The guitars come through to soothe me

Thanks for the joy you've given me
I want you to know I believe in your song
And rhythm, and rhyme, and harmony
You helped me along, you're makin' me strong

Give me the beat boys and free my soul
I wanna get lost in your rock and roll and drift away
Give me the beat boys and free my soul
I wanna get lost in your rock and roll and drift away

Won't you take me away

Give me the beat boys and free my soul
I wanna get lost in your rock and roll and drift away
Give me the beat boys and free my soul
I wanna get lost in your rock and roll and drift away

Won't you take me away


O que é e o que pode ser

Não consigo definir o que sinto hoje. Um misto de desejo, saudade e tristeza. Um amor por alguém que nem conheço mais. Será que isso vai me atormentar pelo resto da vida? Claro que atualmente eu me divirto, me lanço frente ao mundo. Mas não me envolvo. Mantenho sempre uma distância segura.
Qual é o problema comigo? Por que não esqueço? Por que não deixo ir? Por que deixei ir?
Tenho total consciência de que a escolha que fiz foi correta naquele momento (ou naqueles momentos). Eu precisava me livrar de tudo e todos. Sair do ninho, crescer. E isso teve conseqüências bastante positivas. Cá estou, recém-formado e trabalhando. Levando minha vida de forma firme e correta. Ajudando quem precisa de mim, assumindo minhas responsabilidades e sendo dono do meu nariz (o que para mim é o mais importante de tudo). Tudo isso é resultado de mandar o mundinho às favas e encarar o monstro.
O problema é que como em toda luta, houve casualidades. Baixas nas linhas aliadas. No caso específico, as perdas foram duras, doídas. As feridas não fecharam nunca, mesmo com o tempo e diversos remédios para que houvesse cicatrização, não aconteceu. A dor amainava às vezes, mas nunca deixava de doer.
Mas que direito eu tenho de querer voltar, depois de tudo, depois de todas? Com que cara posso pedir para que tudo seja perdoado, que o presente e o passado se fundam para gerar o futuro? Apesar do desejo ser forte, o medo ainda o supera. Como invadir uma realidade aparentemente harmônica e destruí-la por completo, tentando convence-la no caminho de que essa é a melhor opção? Não há como. Quer dizer... até existe maneira de fazer. Mas eu ainda não reúno habilidades técnicas e morais para tanto.
Fora que apesar de todo esse discurso, não tenho – de fato – total certeza do que motiva tudo isso. Se um sentimento puro, de amor mesmo; ou apenas carência, solidão. Cada dia a balança pende para um lado. Mas eu acredito (ou quero muito acreditar) que a primeira opção é que está no comando por aqui. Eu me levo em boa conta.
Mas prometo que um hora dessas estouro. E talvez, mais uma vez, o que parece ser não seja e tudo mude – tão rápido quanto o bater de asas de uma mosca tailandesa.

terça-feira, outubro 28, 2003

Das referências e além

Algo em que sempre penso é na questão das referências, naquilo que compõe o universo intelectual e sensível de cada pessoa. Tenho muito patente em minha cabeça os elementos que me formaram. Sou um filho da TV dos anos 80. Quando era criança, passei mais tempo na frente da telinha do que com meus pais – e certamente – muito mais tempo com aquela caixa mágica do que com outras crianças.

Diferente da maior parte das pessoas da minha idade (faço 23 e 12 meses logo mais em novembro), só entrei na escola quando não tinha alternativa mesmo. Ou seja, no pré-primario. Não fiz escolinha nem nada. E como eu não tinha irmãos, digamos que minha sociabilização não foi das mais pacíficas. Então a TV tornou-se ainda mais presente em minha vida. Some isso ao fato de eu ser meio retardado e ter aprendido a ler muito cedo (com 3 aninhos o pequeno Boca já era a alegria das festas de família, lendo o jornal pras tias aplaudirem), e tem-se um quadro de um pequeno monstro.

Mas já estou viajando demais, então deixa eu tentar voltar pro foco que havia iniciado: a televisão (e, claro, os quadrinhos), formaram os padrões estéticos que possuo. Seja em música, literatura, cinema – tudo que envolve o aspecto cultural e que eu gosto – possui claramente um pé naquele modo de pensamento.

Dessa forma, não tenho problema algum em dizer que sou completamente influenciado pela cultura norte-americana. Casos como os da música podem exemplificar melhor o que quero dizer.
Não tenho nem como gostar de MPB. Não conheço. E não tenho interesse muito grande em conhecer também. Meu negócio é rock! Heavy farofa, de preferência. Tudo que é naquele estilo oitentão – da NWOBHM (New Wave of British Heavy Metal), com Iron, Judas, entre outros – a coisas mais leves, como Poison, Bom Jovi, Skid Row etc. Gosto mesmo! Daquelas músicas empolgantes, com refrões bem marcados. Se querem um exemplo forte do que estou dizendo baixem a música “Dare“, da trilha sonora de “Transformers – O Filme”. Quem canta é a banda Stan Bush.

Talvez eu seja generalista demais no que vou dizer agora, mas é a minha maneira de ver as coisas. Não há como negar que a maior parte dos jovens entre 20 e 25 anos, de classe média pra cima, vivendo do sudeste pra baixo do Brasil, tiveram infâncias e adolescências parecidas com as minhas. Alguns com mais ou menos contato e interesse com essa cultura pop que trato aqui, mas todos com alguns elementos em comum. Viveram todas na mesma época, compartilharam daquele zeitgeist.

Por que digo isso? Porque vez por outra surge algum surto de “brasilidade”. Algo mais falso do que nota de três reais a passar por aí. Eu achei que a modinha do tal do “forró universitário” havia passado, mas semanas atrás vi uma notícia dizendo que alguém dessas bandinha havia sido espancado num show intitulado “O Grande Encontro do Forró Universitário” e que o mesmo estava lotado.

Falem sério... quem desses universitários endinheirados de São Paulo tem “raízes forrozeiras”? Quantos deles ouviam forró em casa, em festinhas de família quando eram crianças? Mas são eles mesmos que adoram dizer que os metaleiros (será que alguém ainda usa esse termo?) ou roqueiros são vendidos, só gostam do que vem de fora, etc etc.
É aí que entra a questão da referência. Pois me digam: como posso gostar de algo que não faz parte, em absoluto, daquilo que formou meu gosto musical, minha forma de ser, pensar e agir? Notem, não há aqui nenhum juízo de valor a respeito da música em si. O que me incomoda profundamente é gente que segue a modinha, fala como se fosse dona da razão e que na verdade é tão alienada de dado assunto, que não consegue fazer outro argumento que não o tal da brasilidade x ser vendido.

É quase que a mesma coisa que acontece com aqueles menininhos riquinhos, que moram em belas casas dos Jardins e que ao entrar em cursos como Jornalismo, Ciências Sociais, História, entres outros das Humanas começam a gritar “Fora Alca”, “Fora FMI” e outras bobagens do gênero – uma vez que eles próprios não passam de filhos bem nutridos do cruel (sim, eu concordo que é cruel. Mas qual é a outra opção?) sistema capitalista.
Devo retomar o assunto em breve, mas em resumo é isso: os gostos de todos nós mudam com o passar do tempo, se aprimoram na maior parte das vezes. Não há motivo que impeça um cara que curtia Sepultura passar a gostar, subitamente, de Luis Gonzaga. O ponto é que temos de ser sinceros e verdadeiros. Goste daquilo que você gosta mesmo. Não daquilo que tentam lhe vender como “the next big thing”. Não é simples, mas pelo menos é sincero.

segunda-feira, outubro 27, 2003

Perto

Acabei de perceber que daqui a exatamente um mês completarei 23 anos e doze meses de vida. Que fase!

A escrita da vida

Para mim é muito claro que num dado momento da minha vida eu parei de vivê-la simplesmente e passei a acreditar que eu estava escrevendo o roteiro de um filme.
Parece confuso? Mas não é. É até simples, de certa forma. Deu-se que a necessidade de negar tudo e todos se tornou mais forte do que o resto. E eu comecei a agir como se fosse um dos personagens das histórias que eu escrevo. O problema é que eu acabei me esquecendo de algo fundamental. Eu escrevia as minhas falas. E as das outras pessoas, ficavam a cargo de quem? Não de mim, com certeza.
Demorou para cair a ficha de que eu sou bem mais simples do que eu gosto de dizer que sou.


sexta-feira, outubro 24, 2003

Newspaper boy

Talvez o texto que coloco logo abaixo explique um pouco do meu desânimo, comentado no último post. É o release de um debate que vai rolar na ECA (pra vocês de fora de Sampa, ECA significa "Escola de Comunicação e Artes". É onde rola o curso de jornalismo da USP). Acredito que as informações esclarecem muito sobre a minha vida. Confiram e, quem se interessar, compareça ao debate:

PESQUISADOR ANALISA VIDA DE JORNALISTA E PARTICIPA DE DEBATE NA ECA-USP

A vida pessoal dos jornalistas é precária, com falta de relacionamento familiar por conta das excessivas jornadas de trabalho e vínculos afetivos que se desfazem rapidamente. Eles trabalham em quase todos os finais de semana, mas em compensação resistem bem ao estresse, inclusive se dedicando com paixão à profissão, e nutrindo por ela uma relação de amor e ódio. Nas redações, o ritmo de trabalho a que se submetem é estafante, com jornadas de 12 horas e às vezes, até mais, e estão expostos ao assédio moral e ao rígido controle social.

Ganham muito pouco, se for considerado o grau de exigência que é imposto pelas chefias, o ambiente competitivo em que trabalham, a precariedade das condições de trabalho em muitas redações e a falta de tempo para estudo. Apesar de tudo, têm pouca consciência da importância social de seu trabalho, são muito individualistas e influenciados pela imagem glamourosa que a sociedade possui da profissão, e não acreditam na sua capacidade de organização enquanto categoria profissional.

Estas são as principais constatações de um estudo feito pelo pesquisador Roberto Heloani, advogado, psicólogo, mestre em Administração de Empresas pela Fundação Getúlio Vargas e doutor em Psicologia, pela PUC-SP, em 1991, cujo resumo de tese foi publicado pela editora Cortez, em 94 – Organização do trabalho e administração: uma visão multidisciplinar.

Desta vez, sua pesquisa para o Pós-Doutorado na Escola de Comunicações e Artes da USP, em 2003, levou o título Mudanças no mundo do trabalho e impactos na qualidade de vida do jornalista. “Eu sabia que a rotina desses profissionais era bem complicada, mas não achava que era tanto: foi surpreendente. A deterioração da qualidade de vida do jornalista naturalizou-se, banalizou-se, e isso é grave, pois se trata de formadores de opinião”, diz Heloani.

Entrevistas e análise profunda
No estudo, uma realização apoiada por duas instituições - o Núcleo de Pesquisa e Publicações da FGV e a ECA-USP, ele entrevistou a fundo 44 jornalistas, aplicando testes concernentes ao estresse e à saúde do trabalho, além de fazer discussões em grupos focais. Deste total, o pesquisador escolheu 22 para análise em profundidade, com levantamento de história de vida e entrevistas nos locais de trabalho em várias mídias. Somente as fitas gravadas tomaram mais de mil páginas de transcrições.

Heloani é um pesquisador preocupado com as relações de trabalho depois da reestruturação produtiva empreendida pelas empresas, no mundo todo, há duas décadas. No dia 8 de outubro, lançou o livro Gestão e organização no capitalismo globalizado: história da manipulação psicológica no mundo do trabalho, resultado de sua tese de livre-docência na Unicamp.

O Núcleo de Jornalismo e Cidadania da ECA-USP promoverá no dia 5 de novembro, quarta-feira, às 19h00, um debate com Roberto Heloani e o jornalista e pesquisador Jorge Cláudio Ribeiro, autor de cinco livros, entre eles Sempre Alerta: condições e contradições do trabalho do jornalista, resumo de seu Doutorado pela PUC/SP em 1994. Será no Auditório Freitas Nobre (CJE - Departamento de Jornalismo e Editoração), Escola de Comunicações e Artes, av. Prof. Lúcio Martins Rodrigues, 443/Bloco A,Cidade Universitária, São Paulo-Capital.

Mais informações:
Jô Azevedo
joazevedo27@uol.com.br
Fone: (11) 9964-3727


quinta-feira, outubro 23, 2003

Silent ballroom

A vontade anda pouca. De falar, de escrever. De ser, simplesmente ser. Não consegui definir ainda se é uma fuga ou se simplesmente não há motivos para correr atrás da vida.
É como um imenso salão, numa bela festa. Alguns entram, outros saem. Alguns dançam, outros apenas olham à distância, se perguntando quando chegará a sua vez de dançar. Porém, há um terceiro tipo de pessoas. São os que estão ali sem querer estar. Mas que percebem que pode ser bom se integrar ao movimento. O receio ainda dominava. Só que não era nada que um belo sorriso não pudesse quebrar. Isso é o limiar da noite, trazendo o limbo para freqüentar à noite nem um pouco serena.

segunda-feira, outubro 20, 2003

"Crescei-vos e mutiplicai-vos"

Este final de semana assisti ao filme “Aos Treze”. Um filme independente que conta a história de Tracy, uma garota americana normal de treze anos de idade que, para se tornar uma das garotas “cool” da escola, se envolve num turbilhão de drogas, sexo e crime.
O filme me perturbou. Pesado demais. Nem tanto pelo que acontece, mas especialmente pela idade das protagonistas. Treze anos é muito pouco!!!
Percebo claramente que a fita me perturbou mais pq tenho uma criança de dez em casa, que não é meu filho, mas é como se fosse. E ser pai é algo bem difícil. Sempre foi, mas nos dias de hoje é ainda mais.

Acredito que a combinação de disciplina, atenção e carinho é a melhor. Tem de ser duro na maioria das vezes (aquela velha história de que “você vai me agradecer depois por eu ter te dito não”), tem de estar ali pra quando ele cair. Acho até que a maior parte dos pais faz isso. O problema é lidar com o mundo e seus perigos.

Se por um lado você não pode isolá-lo e fazer com que viva numa bolha de felicidade, largar pela vida é pior ainda. Esse equilíbrio é complicadíssimo. Pq a tendência natural (pelo menos a MINHA tendência natural) é querer separar totalmente do mundo e dar tudo na mão e deixar feliz sempre. Mas eu sei que isso é ruim – pq ele precisa quebrar a cara pra ver que o mundo não é um lugar legal. Só assim vai ficar forte o suficiente para agüentar o tranco.

E tem mais uma coisa: dói ver o crescimento. Não é fácil ver o seu bebê largar da sua mão e começar a andar sozinho. Complicado. No fim, o que podemos fazer é ficar ali, estar ali. Sempre, em todas as horas. Ajudando ele a levantar quando cair, mostrando o caminho que achamos melhor. E dando o melhor de nós, aguardando apenas que o resultado final seja positivo. Este é o único jogo que nunca termina.

sexta-feira, outubro 17, 2003

As melhores coisas da vida

Sexo
Amigos
Cerveja gelada
Sexo
Conversa de bar
Mulheres
Sexo
Filme de adolescente da década de 80
Heavy e Hard Rock dos anos 80
Sexo
Beijo na boca
Cheiro de carro novo
Gibi novo
Livro novo
Sexo
Mulher gostosa
Centro de São Paulo aos domingos
Galeria do Rock
Sexo
Sofá e filme trash na TV
Viagem com os amigos
Sexo
Festa de formatura
Dormir
Comida boa
Mulheres
Churrascão
Loja de brinquedos
E, para finalizar, não menos importante:
SEXO

Vozes da cidade

São Paulo é uma cidade estranha. No começo é difícil de se situar por aqui. Eu morei aqui quando era muito pequeno, mas toda minha vida foi construída em Piracicaba, interior do estado. Voltei pra cá seis anos atrás e, logo que cheguei, chamava isso aqui de “filial do inferno”. Era assim que eu via. Aos poucos me deixei levar pelo charme sutil do contraste entre luz e trevas, entre limpeza e lixo.

Os becos do centro da cidade, os botecos das faculdades, a noite underground – cada coisa com sua maneira única de representar a vida da metrópole. Galeria do Rock, Avenida Paulista, Rua Augusta, Vila Olímpia. Forças antagônicas e ao mesmo tempo companheiras na evolução do monstro de concreto.

Dentro de mim, movimentos complexos também. Iniciando tudo o desejo de sair do marasmo e mesmice das cercanias interioranas. Depois veio a repulsa, a solidão que batia forte, o sentimento de impossibilidade. Então chegaram a empolgação, o deslumbramento, as idéias de loucura e perdição. Era a negação do passado em sua forma plena.

Hoje restou um pouco de tudo aquilo. É a hora do início da maturidade, da calma e da normalidade. Normal no sentido de aceitação e não de ser estático. Aceitando os lados bons e ruins.

Se por uma forma sinto-me preso e isolado por entre as entranhas dessa entidade de metal e vidro, por outro me alimento da fumaça que corre por ele. Muito de qualquer coisa sempre é demais. Então nem tanto o céu, nem tanto o mar. Um pé cá e outro lá. Seguindo como deve ser, sem negar nada nem ninguém. Apenas sendo. E vivendo. E sentindo.

quarta-feira, outubro 15, 2003

I'm just a little boy

Ainda me espanto com o quão ingênuo eu sou. Olhares, intenções, desejos... tudo passa tão desapercebido por mim, que agora – percebendo mais as coisas – vejo que devo ter deixado muita coisa legal passar por mim.
Sim, algumas eu tenho consciência. Foi franguice mesmo. Amarelei. “You’re a chicken, McFly!!”.
Mas muito mais deve ter acontecido por detrás das sombras e eu nem reparei.
O dito mundo “adulto” é um lugar estranho demais... não sei se estou preparado. Mas, por outro lado, quem de nós está?



segunda-feira, outubro 13, 2003

Soundtrack

Trilha sonora do dia e recado para mim mesmo.

Tente Outra Vez
Raul Seixas

Veja
Não diga que a canção está perdida
Tenha em fé em Deus, tenha fé na vida
Tente outra vez

Beba
Pois a água viva ainda está na fonte
Você tem dois pés para cruzar a ponte
Nada acabou, não não não não

Tente
Levante sua mão sedenta e recomece a andar
Não pense que a cabeça agüenta se você parar, não não não não
Há uma voz que canta, uma voz que dança, uma voz que gira
Bailando no ar

Queira
Basta ser sincero e desejar profundo
Você será capaz de sacudir o mundo, vai
Tente outra vez

Tente
E não diga que a vitória está perdida
Se é de batalhas que se vive a vida
Tente outra vez


domingo, outubro 12, 2003

É nóis!!




A realidade não anda freqüentando este espaço com tanta freqüência mais, porém não resisto a falar sobre a vitória do São Paulo sobre o Corinthians neste domingo, no Morumbi.

De uma partida ridiculamente fraca, já que ambos os times não possuem mais elenco ou habilidade para empolgar suas respectivas torcidas, o clássico se transformou em um jogo inesquecível, que deve marcar a arrancada tricolor rumo à classificação para a Taça Libertadores da América.

O primeiro tempo foi insosso. Nada vezes nada. Começa a segunda metade e logo ali, antes dos 20 minutos, Luis Fabiano – a maior estrela do São Paulo nos dias de hoje – é expulso. E o jogo muda.

O técnico Júnior, em sua segunda partida no comando do Corinthians, havia conseguido animar sua equipe na volta para a etapa final e com esta expulsão até pensou que poderia vencer. Mas do outro lado havia duas figuras que mudaram completamente a partida: Rogério Ceni e Fábio Simplício.

Numa arrancada, o meio-campo tricolor sofreu falta, que cobrada pelo capitão são-paulino resultou em gol do atacante-revelação Diego Tardelli. A vibração de Rogério após o gol parecia ter contaminado a equipe, que se manteve sólida na defesa e partiu para os contra-ataques – já que o Corinthians foi para o tudo ou nada.

Aí, em três minutos, o São Paulo matou o jogo. Carlos Alberto tabelou com Fábio
Simplício, que chegou ao fundo e cruzou. O próprio Carlos Alberto cabeceou para o gol vazio. 2 a zero tricolor. Porém, o melhor estava porvir. Mais uma vez Fábio Simplício partiu no contra-ataque, tocou para Diego Tardelli que esperou a passagem de Ricardinho, que dividiu com Fabinho e Rubinho, venceu e tocou de pé direito. Fábio Simplício coroou sua excelente partida com um gol de calcanhar.

Assim, o São Paulo voltou para a quarta posição no campeonato e vai com muita vontade para o jogo contra o The Stongest da Bolívia na quarta-feira, pela Copa Sul-Americana e também no sábado, contra o Goiás – pela próxima rodada do Brasileirão.

Força Tricolor!! Ano que vem estaremos de volta ao nosso lugar no panteão dos melhores da América – de onde jamais deveríamos ter saído.


quinta-feira, outubro 09, 2003

"Hey baby, take a walk on the wild side"

Ei você... é, você mesmo. Pensa que eu não estou vendo? Sim, eu estou. E não sou só eu. Todos sabem que você tem um lado diferente. Você não é sempre essa pessoa boa e íntegra que gosta de propagar.

E sabe como eles sabem? Porque todos eles também têm seu lado negro. Sim, é verdade. Ninguém é totalmente bom ou totalmente mal. Há um momento do dia que uma nuvem negra passa por sobre sua cabeça, nubla seus pensamentos e você pensa coisas feias, duras, amargas.

Não, nem tente negar. Eu e você sabemos que é assim que as coisas são.
Então não é melhor abrirmos o jogo logo de uma vez? Comecemos já com as cartas na mesa, com o olhar direto nos olhos do outro.

Verdade e mentira, por cima ou por baixo, branco e negro.

Nada é aquilo que parece ser.

Pare e perceba. Tudo vai ser mais fácil.



quarta-feira, outubro 08, 2003

"Quem fica parado é poste"

Então o esquema é o seguinte: vai e não olha pra trás. Pois o ontem já passou e não volta. Tentar recuperar momentos perdidos é o mesmo que apostar num jogo em que já foi dado o apito final. Não dá, não dá MESMO!

O tempo é contínuo e, mesmo que seja cíclico, as voltas são muito maiores do que se imagina. Capacidade, todos têm. Então não pára. Segue e acredita. Porque uma hora a hora chega. O lance é estar preparado – para qualquer coisa.


terça-feira, outubro 07, 2003

The boys are back in town

I'm so fucking tired of this shit!!!

Pronto... gritei, botei pra fora e é isso.

Chega de frescuras choraminguentas. Ah, vai morder seu pai na bunda, Dona Tristeza.
E você também, ô Melancolia. Suma daqui e não se preocupe em voltar.

Para alegrar o dia, um teste daqueles que já fiz várias vezes por aqui. Fiquei até feliz com o resultado... eu juro que achei que ia dar Ross...





I'm Joey Tribbiani from Friends!

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