And justice for whom?
O mundo é realmente um lugar estranho. Eu sempre acreditei que quem fosse justo, correto e fizesse sua parte para que as coisas dessem certo – tanto em termos menores, do dia-a-dia, como nos maiores, da existência no mundo – se daria bem na vida. Eu sempre acreditei na justiça. Nessa coisa simples de que, se você faz o bem, o bem acontece com você.
Mas a vida não é necessariamente assim. Todos temos anseios, desejos e ambições. Isto é fato. Não ter nenhum desses sentimentos acaba fazendo de você um pária na sociedade competitiva em que vivemos. Nem saudável é, pois atravessar a vida sem querer mais dela te transforma num peso morto. Porém, o problema está na forma de execução das ações. A maneira pela qual as pessoas agem para alcançar seus objetivos.
Passo por uma situação que nunca imaginei viver. Estou sendo punido por fazer meu trabalho bem. É, exatamente. Você não leu errado não, é isso mesmo. Eu fiz meu trabalho bem demais, ganhei destaque, notoriedade e respeito. Por isso estou sendo demitido de uma empresa pela qual me dedico há três longos anos.
Ser um jovem promissor, que tem potencial e vontade fez de mim alvo de quem tem frustrações diversas na vida e que não suportaria passar por mais uma provação: a de ser substituído por um moleque.
Só que é preciso lembrar: esse moleque nunca quis substituir ninguém. Ele até acredita que, se eventualmente isso acontecesse hoje, não estaria preparado. Evolução é a palavra chave. Dentro de uma organização, você vai evoluindo, conquistando seu espaço. A não ser em casos em que se contrata um executivo de renome no mercado, com vários anos de experiência, ninguém chega e já vai impondo seu modo de operar, assim sem mais nem menos.
O meu bom desempenho acabou incomodando e, antes que o crescimento fosse maior, me passaram a perna. E eu caí ridiculamente no chão. Isso porque sou ingênuo e acredito nas pessoas. Jamais imaginei que sofreria sanções em função da minha competência.
Agora, tenho de correr atrás. Buscar novas iniciativas, me reinventar. Uma volta às origens talvez. Afinal de contas eu nunca fui e nem nunca quis ser um jornalista econômico. Minha paixão está em outras coisas, outros pensamentos. Eu só fazia, pura e simplesmente, o meu trabalho.
Por isso aprendam crianças: o melhor nem sempre vence. O mocinho pode acabar morrendo no final. E a justiça não é nada além de uma velha cega que foi passada pra trás por sua prima distante, a realidade.