quarta-feira, setembro 10, 2008

Uma entrevista e muita história

Internet é mesmo um negócio de maluco. Lá pelos idos de 2004 eu trabalhei numa grande empresa da área de recursos humanos e, uma das minhas funções, era entrevistar presidentes de empresas e empreendedores de sucesso.

A última entrevista que fiz nesse trabalho foi com Caito Maia, criador da Chilli Beans. Essa matéria foi publicada em Janeiro de 2005, quando eu já nem estava mais naquela empresa. Mas foi um sucesso estrondoso. É difícil falar isso de algo jornalístico, mas é a verdade. Até hoje não passa um mês em que pelo menos uma pessoa, seja um estudante fazendo trabalho ou um futuro empresário querendo comprar uma franquia da Chilli, me procure.

Já fiz vários contatos profissionais por conta disso, já tive clientes que contrataram minha empresa porque me conheceram por meio dessa entrevista. E já que tanta gente gosta, resolvi colocar aqui no blog, para fazer rodar ainda mais essa história. Espero que quem ainda não leu aprecie. O original está no site da Catho.


CAITO MAIA E A CHILLI BEANS: QUESTÃO DE ESTILO


* Thiago Costa

Jovem, decidido e com uma visão sobre negócios no varejo que deixa para trás vários teóricos do assunto. Este é Caito Maia, dono de uma das marcas que mais cresceu no Brasil na última década.

A Chilli Beans se tornou uma referência não só no mercado em que está inserida – de acessórios, mais especificamente de óculos escuros - mas também no que se refere a franquias. Com mais de 80 lojas espalhadas por todo o Brasil, a empresa tem planos de expansão ousados: chegar até a Europa e os Estados Unidos, tornando-se o primeiro fenômeno de marca brasileira com crescimento real no mercado externo.

Com uma simpatia e simplicidade que enchem os olhos, Caito Maia concedeu uma entrevista marcada por seu bom humor e sua emoção, que vinha à tona principalmente nos momentos em que contava como conseguiu construir "do menos nada", como ele próprio diz, um negócio sólido e muito próspero. Confira abaixo a história de alguém que nunca deixou de acreditar em si mesmo e naqueles que estavam ao seu lado e, com isso, alcançou resultados extraordinários.


Carreira & Sucesso: Como começou a sua história?

Caito Maia: Sou completamente autodidata. Viajei muito pelo mundo, e quando estava na Califórnia, acabei percebendo que ali era o maior berço do varejo e que eu teria muito para aprender. Comecei a prestar atenção em coisas do varejo que eram muito legais. Eu estava numa praia chamada Venice, freqüentada por todo tipo de gente: punks, executivos, o pessoal do rock n’roll. Naquela praia, as pessoas compravam óculos, que eram objetos bem baratos, para representar estas personalidades. Então, se num determinado dia a pessoa queria ser um punk, ela comprava um par de óculos que indicava isso e ali na praia se soltava. Observando isso, fiz negócio com um fornecedor de óculos de lá, trouxe uma carga para o Brasil e meus amigos começaram a comprar. Vendi tudo! Aí entrou uma coisa minha: eu nunca me contentei, sempre quis mais. Então, chegou a um ponto em que falei para o meu fornecedor: quero comprar tudo (risos)!

C&S: E qual foi o próximo passo?

CM: Comecei a comprar, comprar, comprar... Então chegou o momento em que precisei constituir uma empresa. E neste momento fui bem agressivo no mercado. Eu sempre tive facilidade em identificar quais eram os modelos dos quais as pessoas iam gostar. Quando eu chegava com o mostruário, ninguém acreditava que eu tinha aquela modelagem num preço tão bom. Então, o que chegava vendia. Mas eu me compliquei por falta de apoio. Não tinha capital de giro. Vendia muito, mas com prazos longos e com margem de lucro muito pequena.

C&S: Como foi esse processo?

CM: Sabe, isso me deixa até um pouco revoltado. É um absurdo! Eu sempre digo que um dia vou ficar muito rico e poderoso e vou ajudar outros empresários. Quero ter uma ONG que capte dinheiro no mercado e repasse para quem quer ir para frente. É uma judiação ver que no Brasil tem muita gente legal, com muita capacidade, que não vai para frente por falta de apoio. O que aconteceu comigo é que vendi tudo, mas não tinha dinheiro para comprar mais. Eu não tinha ninguém para me ajudar, nunca tive pai rico. Se eu fosse procurar no mercado o dinheiro vinha, mas com juros enormes. Se fosse por este caminho, estava morto. E eu nem tinha uma grande estrutura. Vendia no atacado, de dentro de um depósito. Era eu e minha mala, dentro de um carro, saindo por aí. Saí, então, do atacado e fui para o varejo.

C&S: Fale sobre essa mudança de foco...

CM: Dei um passo para trás, analisei melhor minhas possibilidades e recomecei. Fui para o Mercado Mundo Mix e abri um estande. Digo sempre que lá é a melhor escola de varejo do mundo.

C&S: Por quê?

CM: Porque você tem que mudar a "cara" da loja três vezes num único dia! Nós mudávamos de acordo com a observação do público. Se as pessoas eram mais esportivas ou mais básicas, a loja ficava com cara delas. O valor dos produtos ia se alterando com o passar do dia. Era uma feira mesmo, então, exigia agilidade e rapidez. Tinha que escutar o cliente, ver o que estava funcionando, o que não estava e seguir. Não dava para ficar parado. Tinha que inventar, chamar a atenção, não importava como: ficando pelado, plantando bananeira. Esse era o jeito (risos). Eu estou brincando, mas isso é muito sério. Hoje em dia, o líder do mercado, em qualquer segmento, tem que mudar constantemente para agradar ao cliente. A Chilli Beans toda semana tem produto novo. Tem que ter coisas novas, tem que mexer. O cliente tem que entrar na loja numa semana e ser de um jeito, e da próxima vez que ele entrar, deev algo completamente diferente. Esse é o novo varejo.

C&S: Esse foi o grande aprendizado do Mercado Mundo Mix?

CM: Sim, essa agilidade eu peguei de lá. Muitas outras coisas eu aprendi lá. Por exemplo, o Mundo Mix tinha uma rádio e eu era DJ. Eu mesmo fazia meu anúncio, bolava as promoções e corria atrás. Hoje, com 85 pontos de venda, uso a experiência de varejo que adquiri no Mercado Mundo Mix. Por conta disso, sei qual é o perfil do mineiro, do gaúcho e dos demais consumidores brasileiros.

C&S: Hoje suas lojas funcionam no sistema de franquias, mas no início não era assim. Como foi a evolução?

CM: Depois do Mercado Mundo Mix, abri uma loja na Galeria Ouro Fino, no bairro dos Jardins, em São Paulo. Em seguida, abri um primeiro quiosque no Shopping Villa Lobos, que explodiu de vendas. Foi uma loucura! Isso foi em outubro de 2000. No ano seguinte abri mais três pontos: nos Shoppings Eldorado, Iguatemi e Morumbi. Começamos por cima e depois fomos seguindo. Nesta época, já surgiram propostas para franquia. E o mais louco de tudo isso é que a marca ainda estava em formação. A franquia foi para a rua antes de estar pronta. E eu, obviamente, usei essa demanda como financiamento. Captei dinheiro para poder crescer. Isso me ajudou muito no crescimento e no meu posicionamento frente ao mercado. O engraçado é que a única franquia que não deu certo foi a primeira, de Maringá. Mas vendo o que passamos e nossa situação hoje, eu digo que é muito teórico e hipócrita vender uma franquia sem a ter colocado no mercado. Nós já fizemos. Nossa franquia é testada e aprovada.

C&S: Você tem subsídios práticos que comprovam o sucesso do seu negócio...

CM: Exatamente. Conheço o caminho das pedras. Sei dizer quando atacar, onde atacar, quando segurar mais. Sou um cara honesto. É claro que para a minha marca seria muito interessante estar numa loja de shopping, mas eu digo para quem chega até aqui que se ele tem a possibilidade de começar com um quiosque, vá por essa alternativa. Nesta opção, ele pode se colocar no corredor e observar o movimento, consegue determinar se aquele shopping em que ele está entrando é legal ou não e qual é a melhor posição. Depois de um ou dois anos, se estiver bem, o investimento já está provando ser válido e aí, sim, vale a pena partir para uma loja. São certas coisas que vêm acontecendo e que nós passamos de experiência para o franqueado. Quando se vai montar uma loja, ela precisa ser a melhor loja, num ponto muito bem escolhido. Mas o ser humano erra, e isso é normal. Por isso é vantagem começar no quiosque. Outra vantagem é ficar esperando o melhor ponto.

C&S: Observando a história da empresa, é possível ver que as coisas aconteceram bem rápido para você. Já são mais de 80 lojas?

CM: Sim. Mas sem perder o controle. Eu gosto de perguntar para os franqueados como estão as coisas, de fazer um acompanhamento. Acabei de fazer uma turnê pelo Brasil inteiro – de Manaus a Porto Alegre -, passando em todos os pontos de venda.

C&S: Você acredita que essa proximidade é um dos fatores que fazem a Chilli Beans ser a marca conhecida e respeitada que é hoje?

CM: Acho que sim. Tem algumas coisas que eu fiz que ajudaram a Chilli Beans a ser o que é. A primeira foi acabar com vários pontos de venda que tinham a Chilli Beans, porque uma empresa como a nossa tem, basicamente, três alternativas: loja própria, franquia e multimarcas. Essa última é a pior coisa que se pode fazer com uma marca, porque você vai vender para alguém que não tem conceito, que vende do jeito que quiser, que não tem cuidado algum. Além disso, o pagamento é sempre proporcional à saída do produto: se estiver vendendo, paga; se não vender, não paga. Eu valorizei o produto Chilli Beans.

C&S: Você tirou o produto de todas as lojas multimarcas?

CM: Sim, acabei com tudo. Queriam me matar (risos). Hoje, os óculos Chilli Beans só são vendidos em lojas e quiosques credenciados. A diferença que notamos depois disso é violenta. A marca ficou mais forte no mercado, mais respeitada e credibilizada. Eu valorizei meu franqueado, agreguei valor à marca.

C&S: Como ficou a sua relação com os franqueados depois?

CM: Acho que, no caso das franquias nacionais, existe o antes e o depois da Chilli Beans no mercado. A margem de lucro dos nossos franqueados é a maior do mercado. Nós já cansamos de mudar as coisas por aqui, e estou falando de preço mesmo. Temos um cuidado muito grande com tudo na nossa empresa. Se eu me sento ao seu lado e as coisas não estão acontecendo para você, não adianta. A palavra "negócio" só vale se eu e meus parceiros tivermos lucro. Isso é muito sério. O negócio Chilli Beans não é uma coisa para você entrar e sair depois de dois anos. É para ficar a vida inteira. Eu ouço muito meu franqueado.

C&S: Dentro deste contexto, como está sendo a evolução da Chilli Beans?

CM: Há um ano e meio tenho investido fortemente em qualidade: materiais diferenciados, banhos a mais nos óculos para ficarem mais resistentes e desenvolvimento próprio de todas as peças. Parece pouco, pois as saídas são pequenas, mas no fim é muito dinheiro. E eu não repasso isso para o meu franqueado. Estou ganhando de outro jeito, e esta é a forma de pensar na Chilli Beans. Vou dar um exemplo. Participei há pouco tempo de um encontro em Hong Kong, pois fomos escolhidos a empresa líder de mercado da América Latina. Eu estava na abertura de uma das principais feiras de lá, ao lado de mais nove empresários. Fechamos acordos e estamos muito bem com as fábricas da China. O custo do nosso produto caiu e aumentou a nossa margem de lucro. Mas esse "extra" eu não vou por no bolso. Vou investir em qualidade!

C&S: E isso acaba refletindo na posição em que sua empresa se encontra?

CM: Sim, mas nem todo mundo pensa assim. Tem gente que põe o dinheiro no bolso e sai comprando navio, carro conversível... Mas eu acho que essa não é a idéia. Acredito que nós, empresários, temos que pensar sempre em plantar para conseguir colher bons frutos no futuro. Não adianta ganhar dinheiro agora para perder daqui a três anos. Meu investimento é sempre em qualidade.

C&S: Vocês atuam num sistema similar ao da Nike e de outras grandes marcas mundiais, ou seja, não possuem uma fábrica ou produção direta. Fale um pouco sobre esse sistema.

CM: Na minha opinião, uma empresa moderna tem que saber focar. Meu negócio é conceito, marca. Comparo sempre com a indústria musical porque fui músico durante 12 anos. Na época em que comecei, havia a CBS, que hoje é a Sony, e a CBS tinha um estúdio enorme onde eram feitas todas as gravações. Hoje isso não existe mais, pois cada artista tem seu próprio estúdio. O negócio da Sony não é gravar, então, eles não gravam mais. Por isso tenho um parceiro que é a fábrica. Lembro sempre de uma coisa que eu ouvia quando era moleque: "o pai do fulano é industrial". Hoje, não existe mais o "industrial". Não vou por esse caminho. Vou pela criatividade. O meu negócio é desenvolver produto. Para isso, busco parceiros, terceirizo fabricantes e faço o que for melhor para mim.

C&S: Mas nem pensa em ter uma fábrica?

CM: Adoraria, um dia, ser sócio ou até mesmo comprar uma fábrica brasileira. Sabe, sou um patriota violento... Tenho a bandeira brasileira desenhada no meu coração. Amo muito mesmo o Brasil. Mas é uma questão de negócios, temos de ser realistas. Então, todas as fábricas que atuam para mim estão na China.

C&S: É difícil controlar a qualidade dos produtos a distância? Você sempre recebe exatamente o que pediu?

CM: Hoje funciona assim: tenho um escritório em Los Angeles que coordena as atividades na China. E a comunicação com este pessoal é muito boa. Para você ter uma idéia, eu pago mais caro pelo produto por essa ponte que é feita em Los Angeles. Mas vale muito a pena. O design também é desenvolvido lá. Acabei de voltar dos Estados Unidos, onde passei dez dias "internado" dentro de um escritório, trabalhando das 8h às 20h, desenvolvendo a nova coleção de 90 modelos.

C&S: Pensando em atingir o público com a chegada do verão...

CM: Não sigo esta idéia de verão. Veja só, o sorvete no Brasil sempre foi tratado como um produto de verão, enquanto na Europa é visto como alimento. Essa é a diferença. Eu não vendo óculos de verão. Não faço mais do que a minha obrigação de vender no verão, mas eu não quero só isso. Para você ter uma idéia, meu recorde de unidades vendidas foi em Campos do Jordão, na alta temporada do inverno. Este é o objetivo. Estou vendendo estilo.

C&S: As lojas da sua marca têm um estilo muito peculiar e são marcadas por um atendimento muito bom. Qual é o valor do cuidado com o consumidor?

CM: É muito mais do que cuidado. Pensa bem... o consumidor é a parte mais importante disso tudo. Você tem obrigação de tratá-lo bem. No varejo, o mínimo é você saber o que o consumidor quer e dar isso a ele, facilitar a vida dele. Porque isso vai dar retorno.

C&S: E como fazer para garantir essa mesma filosofia em todas as lojas da franquia?

CM: Em primeiro lugar, temos a política de trocar os óculos que apresentarem qualquer problema. Todas as lojas sabem disso, e sabem que não vão perder nada trocando uma peça. Se um cliente chega mostrando um par de óculos que começou a descascar ou um risquinho quase imperceptível, eu ordem sempre é trocá-lo. Às vezes, o pessoal reclama, diz que tem gente que abusa. Mas até o limite do bom senso, nós trocamos sempre. A grande sacada é mostrar para o franqueado que agir dessa forma vale a pena. Uma das lojas que tem melhor resultado na nossa rede é a de Recife. Sabe o que o franqueado de lá faz? Uma semana depois que alguém compra nossos óculos ele liga para o cliente e pergunta se está tudo bem, se tudo está correndo como esperado. Eu repasso essa experiência dele para os outros, que sempre vão querer ter um resultado ótimo como o daquela loja.

C&S: Como estão os planos para a expansão internacional da Chilli Beans?

CM: Nós queremos crescer com solidez. Lutei muito para conseguir o que tenho hoje e não quero perder isso de jeito algum. É a minha vida. Sem isso aqui não sou nada. Por isso quero ter segurança para crescer. Várias marcas tiveram problemas graves por tentarem seguir sem solidez. Não param de chegar pedidos da Europa e dos Estados Unidos. Ainda não é o momento, mas ele está bem próximo. Mas, pela nossa experiência, vemos que falta o parceiro ideal. Só que não tenho dúvidas: nós seremos o primeiro fenômeno brasileiro de crescimento real lá fora. Estou me preparando para isso. Faltam poucos detalhes...

C&S: Você já analisou o mercado lá de fora, já sabe quem vai comprar seus produtos?

CM: Sim. O público que vai consumir lá é o mesmo daqui: todo mundo que gosta de estilo, de conceito, de rapidez e agilidade. Isso tudo dentro de uma loja super bem pensada, com displays bem atuais. Hoje, na Europa, por incrível que pareça, isso não existe. Eles não têm uma loja de conceito. Do nosso jeito, não tem. É por isso que eu digo: "quando bombar, vai bombar forte".

C&S: O preço dos produtos que você vende, em média, são menores do que os dos seus concorrentes diretos – mas com a mesma qualidade ou até superior. Qual é o segredo (se é que existe algum)?

CM: Trabalhar direitinho. Só isso. Tenho alguns franqueados que são da geração antiga, de 1.000% de margem de lucro. Eles chegam pra mim e dizem que se eu vendesse óculos por R$ 150,00 as peças venderiam como água. Dizem que não estamos atacando o mercado de R$ 150,00. O que eles não perceberam é que estamos atacando, sim, porque a pessoa vai até a loja e não compra um, mas sim dois óculos. Esse é o nosso jogo.

C&S: Falando agora um pouco sobre você... Fale um pouco sobre essa experiência de ser músico.

CM: Sempre tive um tino comercial. Mas desde moleque eu queria ser músico. Tive uma banda durante 12 anos. Fui vocalista de uma banda que ficou até bem conhecida, a "Las chicas tienen fuego". Fizemos shows pelo Brasil inteiro. Estávamos para assinar contrato com uma grande gravadora. Até hoje muita gente me pergunta sobre a banda. Mas a vida é muito louca e hoje estou aqui, vendendo óculos. A música tem uma ligação muito forte com a Chilli Beans porque estamos ligados ao estilo, ao visual. E é por isso que ela acontece. Porque é de verdade.

C&S: Você passou também por uma transformação radical na parte física, emagrecendo 50 quilos em seis meses...

CM: Sempre fui gordo. Fui para a Califórnia fazer faculdade de música e lá eu "pirei". Comecei a correr, a fazer abdominal como um louco. É óbvio que quando você tem 17 anos de idade tudo é mais fácil. Hoje eu malho, me mato, mas não consigo o mesmo resultado. Mas foi uma loucura mesmo. Imagina o que é nenhuma mulher te olhar até os 16 anos. Aí, depois, eu virei modelo! Para a cabeça de um jovem isso é muito louco. Isso conta muito para a vida. Experiências fortes deixam a gente com mais fibra. Você passa a dar mais valor para tudo, passa a ter mais sentido. Você acredita mais nas coisas. Por isso eu me emociono quando conto minha história, porque é tudo muito de verdade. Não sou uma pessoa de mentira, construída pela mídia. Tudo que eu tenho é de verdade.

C&S: Isso acaba dando uma outra cara para sua empresa?

CM: É claro! O grande sucesso da Chilli Beans está nas pessoas que trabalham comigo. Sem elas eu não sou nada. Sem querer me menosprezar, mas a galera que está aqui é radical. São muito bons. Eles "morrem" pela Chilli Beans e sem eles nada acontece. Não consigo fazer sozinho. Sem isso não conseguiria o que consegui. Sabe, eu às vezes agradeço as pessoas daqui por um bom trabalho e elas olham para mim assustadas, pensando que não fizeram mais do que a obrigação. Mas não penso assim. Para mim não é assim mesmo.

C&S: Como você conseguiu formar uma equipe tão boa?

CM: Sempre me preocupei muito com o lado pessoal e com a questão financeira dos funcionários. E eu acredito que pessoas do bem chamam pessoas do bem. O bem chama o bem e o mal chama o mal. Já tivemos pessoas do mal aqui e elas não agüentaram ficar um mês. Você vê que elas ficam incomodadas. Aqui as pessoas se gostam e se respeitam. Ninguém no mundo consegue construir uma empresa sem gente boa ao seu lado. Não adianta também centralizar o comando; tem que saber dividir. Já tentaram me colocar numa sala isolada do pessoal aqui, mas eu não deixei. Sou igual a todo mundo. Muita gente diz que "Quanto mais você dá, mais as pessoas querem". Isso é mentira! Quanto mais você dá, mais você recebe. Ninguém na Chilli Beans me vê como o patrão, mas sim como um amigo e um parceiro.

C&S: Quem é a pessoa que você procura para fazer parte da sua equipe?

CM: Procuro quem tem profissionalismo e bom senso. Quero pessoas que olhem para o futuro, que não tenham pressa, que queiram mais. Pessoas que procurem se desenvolver em seu próprio meio. Que se adaptem bem às novas situações. E tem que ter honestidade, como é o caso de todo mundo que está aqui. Aqui dentro, se sinto que a pessoa tem possibilidade e capacidade, abro o caminho para ela crescer.

C&S: O que você tem a dizer para quem está começando a carreira?

CM: Gostei desta pergunta, pois o principal motivo de eu dar palestras pelo Brasil afora é para dizer coisas assim para os jovens. E o que tenho a dizer é: acredite, seja sério, determinado e paciente. Porque eu, Caito Maia, dono da Chilli Beans, sou um exemplo vivo de que do nada você pode construir uma empresa sólida, do futuro. Estamos no país mais apropriado do mundo para empreender: o Brasil. Mas não se esqueçam: tem que ter honestidade, bom senso, paciência, esforço e muita perseverança.


Caito Maia aprendeu com a vida o que os livros e as universidades tentam fortemente ensinar. Ser autodidata e vencedor não é para qualquer um. Só por isso, já poderia ser considerado uma pessoa especial. Mas ele foi além. Criou uma marca, um estilo, um conceito que ultrapassa a simplicidade que ainda predomina em vários segmentos da indústria nacional. Caito fez tudo isso e continua ainda com uma empolgação juvenil ao contar suas experiências. E, mais do que tudo, com uma humildade exemplar – característica fundamental para ser, como ele é, um verdadeiro líder.

quinta-feira, setembro 04, 2008

Ídolos

Bom, para quem achaava que este seria um post sobre o programa da Record, sorry. Não vou falar sobre isso por dois motivos: 1) eu não assisto esse programa e 2) não assisto porque é muito chato e, tanto o American Idol original, quanto a versão brasileira com o Miranda e tal, são MUITO melhores.

Disse que não falaria, mas já falei, né? Enfim... o post é sobre um dos caras que eu mais admiro atualmente no ofício de escrever. O nome dele é Brad Meltzer.

Bom, não é preciso nem dizer que este é um blog notadamente nerd. Tá no visual, na minha descrição aí ao lado e em grande parte dos posts dessa nova fase (e em muitos dos antigos também).

Meltzer é um escritor de romances e de quadrinhos. Há algumas obras (literárias, para os mais preconceituosos) dele traduzidas para o português. Recomendo, em especial, Os Milionários. Não sei como é a tradução, mas o livro é tão bom que duvido que conseguiram acabar com ele em nossa língua pátria.

Para o lançamento de The Book of Lies, seu novo livro, Meltzer fez algo simples e que nem é tão inédito, mas que é de uma inteligência contumaz: lançou também uma trilha sonora, para ser ouvida durante a leitura.

Mas o mais legal mesmo nisso tudo, e que me fez colocar o título nesse post, foram as músicas escolhidas. Aqui você pode ver a lista completa, que tem uma monte de Richard Wagner, além de coisas como R.E.M e Bonnie Tyler, mandando o clássico Holding on for a hero, e o tema de Super-Herói Americano (alguém aí tem idade para lembrar desse seriado? The Greatest American Hero, no original).

Completando a história toda, Meltzer colocou uma playlist no iTunes, que mata a pau. Vejam aqui. E se quiserem mais, vejam o post do blog dele.

O cara é demais.

quarta-feira, agosto 27, 2008

Ah, o orgulho!

Um sentimental exemplo do que é minha cidade natal.

(Mas eu gosto, sério mesmo!)


segunda-feira, agosto 25, 2008

É um pássaro? Um avião?

Aí o presidente da Warner, Jeff Robinov, chega e diz que vai zerar a série Superman no cinema. Vai fazer isso motivado, em grande parte, pelo “fracasso” de Superman Returns e pelo estrondoso sucesso de The Dark Knight. Esta aqui, no G1.
Nosso amigo Jeff disse mais: em entrevista ao jornal "The Wall Street Journal", ele disse que gostaria de ver nas telas o lado mais pesado de um dos mais populares personagens dos quadrinhos - e que ainda não satisfez o gosto dos fãs mais devotos dos quadrinhos em sua versão moderna.

Bom, vamos devagar com o andor, que o action figure é de plástico.

Em primeiro lugar, Superman não é, nem nunca foi sombrio. É incompatível com a natureza do personagem. E nós já vimos essa história antes, quando Tim Burton fez sucesso com seu primeiro Batman, quiseram que ele fizesse uma versão do Azulão. A diferença é que ele não seria nem azul, nem teria capa e provavelmente não voaria. Ou seja, seria outro filme do Batman.

De fato, Superman Returns não agradou a maioria dos fãs. Isso aconteceu por um motivo simples: não é um action movie. É um filme de “autor”. Bryan Singer se esforçou muito para mostrar o que o Superman significava para ele. O que, não necessariamente, chegou ao que o personagem representa para as outras pessoas, em especial fãs mais ardorosos. Isso por vários motivos: o filho que ele inventa, a pouca ação, Lex Luthor (da forma como é apresentado) não assustar nem atrair ninguém. E também porque o filme é uma homenagem às produções passadas, especialmente quando Richard Donner ainda estava envolvido. Só que quantas pessoas do público atual viram Superman I e II e ainda se importam com aquelas produções?

Voltando a falar sobre a declaração do presidente da Warner, há outro aspecto, o da confusão entre ser “realista” e ser “sombrio”. O mais novo Batman, pro exemplo. Como eu disse aqui, não acho o filme sombrio. Considero o mais real possível em se tratando de uma película sobre um cara que se veste de roedor e sai batendo em bandido na rua.

É possível fazer algo parecido com o Superman? Claro que sim! Estão aí os dois primeiros “Homem-Aranha” e “X-Men” pra comprovar. Mas a Warner já tentou isso, pois Singer era o diretor dos filmes mutantes. Mesmo assim, o caminho é válido.

Nos quadrinhos, onde tudo isso começou, discutir essa questão é algo que já não faz sentido há mais de 20 anos.

A revista que empresta o nome ao filme mais recente de Batman, “O Cavaleiro das Trevas”, foi escrita e desenhada por Frank Miller (hoje, mais conhecido do grande público por Sin City) e mostrava um futuro pós-apocaliptico em que o Homem-Morcego, após anos de reclusão, retomava Gotham e o mundo das mãos corruptas de políticos e outros bandidos.

Ali, Batman era duro, combativo e realmente sombrio – no sentido de que não se tratava mais daquele cara gordinho vestindo uma roupa cinza e arrumando as luvas no canto da sala. Era justamente para combater a imagem camp que aquela história surgiu. Na mesma graphic novel, Superman era mostrado como um capacho do governo estadunidense.

Mas tudo isso fazia sentido num cenário de Guerra Fria, Superpotências e corrida nuclear. E acabou gerando o que, nas HQ’s é chamado de Grim n’ Gritty (algo como “Sombrio e Durão”, numa tradução mais literal).

Trata-se de uma fase de falta de criatividade completa, em que pensava-se que bom mesmo era ter personagens cheios de armas, braços robóticos e que fossem assassinos cruéis.

Hoje (ainda bem) não é mais assim. Todos evoluíram (leitores e criadores) e percebe-se que boas histórias, com pitadas realísticas, podem ser escritas sem apelação. As recentes séries The New Avengers e Captain América na Marvel são prova disso.

Mas aí me vem o executivo top do estúdio e diz que quer fazer um Superman sombrio?? Será que ele alguma vez leu algo do Superman???

Se ele não leu, sugiro algumas coisas: All-Star Superman (No Brasil, Grandes Astros Superman), Superman for all seasons (Super-Homem: As Quatro Estações) e a própria revista de linha do Supes, escrita por Geoff Johns. Aliás, sugiro isso a todos que consideram Superman um personagem ruim e (essa é a pior de todas) um exemplo de imperialismo estadunidense.

Superman é o super-herói ideal, o maior de todos, o primeiro. Não haveria indústria de quadrinhos se não fosse por ele. Tudo vem dali. Ele é o ideal da perfeição humana – independente de país de origem, de raça, credo ou cor.

Ele é a inspiração para que sejamos nobres e bons. Porque, falem sério, se vocês tivessem todos aqueles poderes, perderiam seu tempo ajudando qualquer pessoa que não a si próprios?

É isso que um filme do personagem deveria mostrar. É assim que ele seria relevante para as novas gerações. Dando a elas a esperança que elas não tiveram até agora.


Hoje tem palhaçada? Tem, sim senhor!

Na semana passada, São Paulo viu acontecer a III Palhaçaria Paulistana. Trata-se de um evento organizado pela Cooperativa Paulista de Circo e pela Secretaria Municipal de Cultura.

Palhaços, mágicos, malabaristas e demais artistas circenses apresentaram-se gratuitamente, resgatando a magia do circo tradicional – e não uma daquelas superproduções estrangeiras. Nada contra elas, mas uma não pode substituir a outra. Há lugar para todos.

Mas mais importante do que o evento em si, foi o local de sua realização: o Vale do Anhangabaú.

Cravado no centro da metrópole paulistana, o Vale é ponto de passagem entre pessoas que vão e vêm de locais como a Rua Santa Ifigênia, o Largo São Francisco, a Praça da Sé, o Terminal da Praça das Bandeiras, a Rua Boa Vista, o Viaduto do Chá, entre outros.

Lá vivem – isso mesmo, vivem – centenas de pessoas que dormem nos bancos, banham-se nas fontes e consomem drogas embaixo de marquises. Um retrato fiel da realidade de muitos paulistanos pronto para quem quiser ver, especialmente em tempos eleitorais.

Mas não é tão ruim quanto pode parecer assim, à primeira vista. Há muito policiamento naquela região, tanto da Polícia Militar, quanto da Guarda Civil Metropolitana. Assaltos que antes eram freqüentes por ali, hoje são muito mais raros. Já é possível, aos sábados e domingos, ver casais namorando nos bancos e jovens skatistas aproveitando as áreas planas e o concreto utilizado ali.

Com a III Palhaçaria Paulistana, um circo foi, literalmente, armado ali. E com espetáculos gratuitos, toda aquela gente que circula pelo Anhangabaú pôde tomar contato com pulsante cultura que vibrava no interior da lona.

Nas apresentações, todas elas lotadas, era possível ver o quão carente a população é de opções culturais. Quantos ali já entraram num teatro? E num cinema? Mesmo o próprio circo parecia ser algo inédito ou uma distante lembrança da infância.

Os olhares brilhosos das crianças, as quase-lágrimas querendo rolar pelos rostos dos mais velhos. Tudo aquilo era recheado de uma emoção tremenda, colocada ali em estado bruto.

Não acho que o Governo (seja ele qual for) tem o dever de prover tudo ao cidadão. Pelo contrário, sou até bastante liberal e quero mais ver Brasília reduzida a meia-dúzia de salas num prédio de três andares.

Porém, no estágio evolutivo em que o Brasil se encontra, oferecer alguma coisa que seja, é sim obrigação do Estado.

Com o circo da Palhaçaria, a Prefeitura de São Paulo acertou em cheio. Deu aos porteiros, garçons, faxineiras, arrumadeiras, jardineiros e trabalhadores em geral do centro da cidade a oportunidade de se sentirem participantes, cidadãos plenos. Justo eles, que são as engrenagens fundamentais para que a cidade que não pára nunca realmente não fique parada.

Tudo isso com o mais singelo sorriso de um palhaço.

quarta-feira, agosto 20, 2008

Bobo não!

Como eu disse na segunda-feira passada (e vocês podem conferir logo abaixo), o povo pode ser simples, mas não é idiota.

Matéria da Folha de hoje confirma a queda da audiência de "A Favorita" depois das reviravoltas inventadas para tentar adequar a novela aos padrões já conhecidos.

Numa boa... a melhor coisa que eles fazem agora é encurtar o negócio e partir para outra, porque essa está morta e só esqueceram de enterrar.

terça-feira, agosto 19, 2008

De novo, só daqui 4 anos

E o Brasil perdeu da Argentina. Ah, os nossos velhos conhecidos hermanos. Se perdesse da China na etapa anterior não doeria tanto. Sempre é triste, difícil e complicado apanhar (porque 3 a 0 é uma surra) deles.

Mais doído ainda é ver que dessa vez as coisas foram feitas de uma forma razoávelmente correta: o time ficou na vila olímpica, o único medalhão em campo era um que, de fato, merecia um lugar na equipe - Ronaldinho Gaúcho -, e o time vinha jogando para frente, se lançando forte ao ataque.

Aí vem uma decepção dessas.

Disso tudo, ficam duas perguntas:

a) Dunga sobreviverá na seleção com todas as críticas pós derrota?
b) Será que o time vai ter vergonha na cara de jogar para ganhar o bronze vai buscar as medalhas dessa vez?


quinta-feira, agosto 14, 2008


Music for the soul

No último domingo, dia 10 de agosto, além de ser Dia dos Pais, a cidade de São Paulo recebeu um evento muito interessante.

Para comemorar seus 35 anos no País, a Yamaha Musical do Brasil convidou Ivan Lins, Ana Cañas e Abraham Laboriel para um show no Auditório Ibirapuera.

A competência de Ivan Lins como músico é inegável. E Ana é uma das boas surpresas da nova música brasileira. Mas o destaque da noite foi, sem a menor sombra de dúvida, o mexicano radicado nos EUA, Abraham Laboriel.

Para quem não sabe, Laboriel é um dos maiores gênios do contrabaixo que a humanidade já criou. A revista Guitar Player gringa o credita como "o mais versátil baixista de nossos tempos".

E, de quebra, ele ainda é pai do baterista Abe Laboriel Jr, que atualmente toca, simplesmente, para Paul McCartney. Laboriel pai só tocou com gente do nível de Ray Charles, Michael Jackson, Elton John, Madonna, Stevie Wonder, entre outros.

Quando subiu ao palco do Auditório Ibirapuera, e disse a sempre presente seqüência “One, two, one, two, three, four” e começou a tocar, o local foi invadido por uma energia inigualável. A platéia se perguntava: “Mas esse som está saindo somente do baixo? Como é possível?”. Muito sinceramente, confesso que não sei como é possível. Só sei que aconteceu, pois eu estava lá e vi e ouvi atentamente.

Um suingue inigualável, um domínio da linguagem musical que permite ir do Jazz para o Soul e o Funk em meros segundos e fazendo todo o sentido. É disso que Abe, como ele gosta de ser chamado, é capaz.

Aos 61 anos (sim, tudo isso), o músico mostra-se cheio de entusiasmo e empolgação. E é de uma generosidade sem igual, tocando com os brasileiros como quem faz uma rodinha de amigos para “tirar um som”.

Um dos momentos mais marcantes da apresentação foi quando, ao final da primeira música em que tocou, e dando uma verdadeira aula de improviso, Laboriel veio às lágrimas de felicidade, por sentir que tinha feito algo extraordinário com a música.

Foi algo marcante para todos os presentes. E fica o pedido para que ele volte ao País, mas para fazer um show só seu. Ele e todos nós merecemos.

Fotos: Tatyana Andrade

segunda-feira, agosto 11, 2008

Favorita de quem?


Então tudo mudou em “A Favorita”. De repente, uma suposta ambigüidade das personagens principais, interpretadas por Cláudia Raia e Patrícia Pilar, sumiu como fumaça no ar.

A premissa original era ousada: deixar que as personagens crescessem por si mesmas, seguindo os ânimos do público e o desenvolvimento da história em si. O problema é que fazer algo assim numa novela das oito é por demais complicado. Existe todo um esquema tradicional, uma estrutura narrativa a qual o público está acostumado.

E, por falar em público, há um elemento ainda mais difícil e que deve ser pensado. Trata-se do perfil dos telespectadores. Quem é que ainda assiste novela das oito? Normalmente pessoas de mais idade e também um público de renda mais baixa, que ainda não tiveram acesso à TV por assinatura. Isso significa, sem nenhum preconceito, que são pessoas com menos acesso à educação e, por isso mesmo, mais habituadas com um estilo de receber conteúdo muito mais ortodoxo.

Diante desse contexto, a novela escrita por João Emanuel Carneiro não conseguiu decolar no Ibope de jeito nenhum. Mas, a solução arranjada, de definir um herói e um vilão, está longe de poder ser considerada ideal.

Flora (Patrícia Pilar), que antes se mostrava amorosa com a filha, hoje diz que “não suporta” a menina. A mudança foi tão radical quanto súbita. E ficou ridícula. Forçada, sem a menor coerência.

Apesar da audiência do “dia da virada”, quando tudo mudou na história, foi alta. Mas não deve continuar assim. Claro, há o ponto da horrenda concorrência no horário: a bizarra novela “Mutantes” da Record – que, por si só, já é um estímulo para que outras coisa seja vista.

Mas a grande questão é que, independente de ser simples e pouco culto, uma coisa certamente o público não é. Bobo. Isso ele não é mesmo. E não vai tolerar ser tratado como tal.


sexta-feira, agosto 01, 2008

Fazendo as coisas ficaram mais animadas

Futebol é paixão, é emoção. Todo mundo diz isso. Mas isso apenas dentro de campo, porque, sejamos sinceros, entrevistas de jogadores, técnicos e dirigentes estão cada vez mais chatas.

Todo mundo fala sempre a mesma coisa, sem se comprometer, passando a culpa para a arbitragem e ninguém nunca dá “nome aos bois”.

Mas eis que surge, ainda, um lampejo de originalidade e coragem.

Edmundo, hoje no Vasco, detona companheiros de equipe sem o menor pudor na entrevista abaixo. Fala, com muita coragem, de dois outros jogadores que são “chinelinhos”. Gíria boleira para designar aqueles que se dizem machucados para não entrar em campo.

Num tempo em que o corporativismo floresce fortemente nos gramados, ver alguém que não tem receio de ser criticado (até mesmo porque não tem mais nada a perder) anima. Demonstra que a inteligência ainda tem espaço num mundo movido, total e inteiramente, pela grana.

Pois essa história de não falar mal dos outros ocorre porque os jogadores querem garantir suas “boquinhas” no próximo clube. Ficam receosos de um ex-companheiro o “queimar” num outro momento.

O futebol seria muito melhor se ainda tivéssemos outros Edmundos. Entre os técnicos, o único que se salva é Muricy Ramalho, com seu poder infinito de mal-humor ao rsponder jornalistas – causando, na maior parte das vezes, uma reação engraçadíssima com isso. Alegre, como o futebol deveria sempre ser.


quarta-feira, julho 30, 2008

Desrespeito

Será que é muito difícil para as operadoras de internet banda larga manterem um serviço com um mínimo de qualidade? Há poucas semanas foi a Telefônica, com seu Speedy, que caiu e ficou fora do ar por dias (e que nunca mais foi o mesmo desde então).

Nesta sexta-feira, dia 25, foi a vez do Vírtua, da NET Serviços, cair e não voltar mais em toda a Zona Oeste de São Paulo.

Em todos os mercados, a excelência em serviços é o objetivo maior das empresas. E o respeito pelo consumidor é um item que nem mais é comentado, por se tratar de uma questão obrigatória. Não há discussão sobre isso.

Porém, para essas empresas, parece que isso não existe. Para elas, nós, os consumidores, não estamos fazendo nada além de um “favor” contratando os serviços deles. É ridículo.

Se é assim agora que as empresas são privadas, imagina quando eram públicas.

A única saída está nas mãos dos consumidores. Somente nos organizando e colocando “a boca no mundo” conseguiremos obter um mínimo de reconhecimento e atendimento correto.

Para quem quiser reclamar, no caso das teles, vá ao site da Anatel. Não é muito, mas já é alguma coisa.

domingo, julho 27, 2008

O mundo é nerd! – Pt 2

A Conquista

O que antes era apenas um universo no qual viviam “iniciados” hoje é a maior fonte na qual bebem os produtores de Hollywood, sejam de TV ou de cinema. Dados que comprovam isso nos 10 filmes mais assistidos nos EUA em 2007: 1) Homem-Aranha 3; 2) Shrek 3; 3) Transformers; 4) Piratas do Caribe 3; 5) Harry Potter e a Ordem da Fênix; 6) Eu sou a Lenda; 7) O Ultimato Bourne; 8) 300; 9) Rattatouille e 10) Os Simpson – O Filme.

Vamos lá, caso a caso, do fim pro começo: Os Simpsons é um desenho animado, bastante conhecido do público. Não é necessariamente, um programa nerd. Rattatouille é mais um desenho animado e se enquadra na mesma categoria.

Aí chegamos em 300. Obra adaptada de forma extremamente fiel dos quadrinhos de Frank Miller. Ou seja: nerd até o fundo da alma.

Depois disso temos Ultimato Bourne, um bom filme de ação, mas sem nerdice. E, logo depois, vem Eu sou a Lenda. Filme baseado num livro de ficção científica da década de 1950. Ficção Científica? Nada mais nerd, não é verdade? Harry Potter está logo depois e até que é um pouco nerd, porque é um livro e tudo mais. Apesar de totalmente mainstream. Piratas do Caribe é da Disney e isso já diz tudo.

Chegamos então ao TOP 3. O terceiro lugar é de Transformers. Filme que resgata a clássica série de desenhos animados (e brinquedos) dos anos 80. Cultuada por 9 em cada 10 nerds com mais de 25 anos de idade. Carros, aviões e outros veículos que viram robôs!!! Isso é pra deixar qualquer moleque espinhento e antisocial parado por dias. Nota 10 na escala de nerdice.

No segundo posto, temos o simpático ogro de Shrek. Ok, esse não é nerd. É criação nova, não traz aquele ar criado pelos fãs (nerds, obviamente) de algo “mitológico” e “maior que a vida”.

E em primeiríssimo lugar... Homem-Aranha 3. Um filme baseado nos quadrinhos do maior nerd ficcional de todos os tempos, Peter Parker!

É interessante pensar nas causas desse fenômeno. Pode-se dizer que o avanço das comunicações o causaram, pois mais gente tem acesso à informação e assim fica mais fácil de tomar contato com elementos antes restritos.

Porém, prefiro acreditar que, finalmente, a indústria do entretenimento rendeu-se a uma fonte de conteúdo existente desde a década de 1930, se estivermos falando das histórias em quadrinhos de super-heróis.

E estes mesmos quadrinhos tachados por muitos como “coisa de criança” são o espaço criativo que trouxe discussões avançadíssimas para a época em que foram feitos, notadamente na década de 1970.

As discussões sobre o uso de drogas de “Lanterna Verde & Arqueiro Verde”, o preconceito comentado arduamente em “X-Men” e até mesmo o alcoolismo mostrado nas páginas de “Homem de Ferro”. Tudo isso era feito em revistas supostamente para crianças naquele tempo.

Depois das fórmulas esgotadas das franquias da década de 1980 (Duro de Matar, como um ótimo exemplo) uma crise de criatividade assolou Hollywood. Aí só restava procurar as melhores fontes disponíveis.

Com isso, o que se pode dizer é que os nerds chegaram ao poder. Sim, ao poder. Pois, em tempos em que a mídia move o mundo, quem a controla está completamente no topo.

quarta-feira, julho 23, 2008

Decadence sans elegance

Higienópolis já foi um bairro classudo, habitado por pessoas influentes: artistas, intelectuais, políticos, entre outras figuras da vida pública de São Paulo e do Brasil. Alguns deles ainda estão por lá, mas ao andar por aquelas ruas arborizadas, fica evidente que algo está faltando.

O bairro é pontuado por diversas escolas. Mackenzie, FAAP, Rio Branco e Sion para ficar apenas nos colégios privados tradicionais. Porém, em meses como julho, aquela energia juvenil desaparece completamente da vizinhança, deixando evidente o processo de decadência que o bairro sofre.

Sem a alegria dos jovens, a idade avançada dos prédios (e de seus moradores) parece gritar. Projetos de retrofit passam longe dali, contribuindo para que um aspecto lúgubre tome conta do lugar.

Tudo é velho, triste. Como um animal que apenas aguarda o abate, pois sabe que seu tempo chegou. Sobra um ou outro sopro de vitalidade, como a Praça Vilaboim. Mas mesmo esta sofre, em julho, com o fluxo de pessoas vindas da FAAP diminuído no período.

Tradicionalmente, Higienópolis é um bairro habitado pela colônia judia. E muitos são judeus ortodoxos, vistos caminhando por lá com seus quipás e barbas. Porém, o que antes se apresentava como um porto seguro a esse povo, demarcado pelo famigerado Minhocão, pela Santa Casa e pelo Pacaembu, hoje se mostra desconectado da realidade.

Não tanto pela evidente invasão de pessoas não pertencentes a essa etnia. Mas pelo próprio sentimento de não-pertencimento a um contexto de toda a cultura e sociedade que cada vez mais excluí situações apartadas da influência massiva do universo pop.

Essa característica de desconexão com o tempo atual de muitos dos moradores judeus de Higienópolis apenas contribui para que a tal decadência bata ainda mais forte no bairro.

Há quem ainda acredite que aquela localidade possa inferir algum tipo de prestígio ou elegância. Ledo engano. Procurar por isso não é nada além de uma busca por um ouro que não se possui numa mina abandonada há mais anos do que é possível se lembrar.

terça-feira, julho 22, 2008

Clone? Se fosse mesmo tava bom...

A mais nova aposta de George Lucas é a animação Star Wars: The Clone Wars. É um pouco mais do mesmo, simplesmente disfarçado de desenho animado.

Lucas se perdeu quando começou a segunda trilogia. Os episódios 3, 2 e 1 não conseguiram captar a mesma magia dos primeiros – que revolucionaram o cinema e a forma de se contar histórias de ficção.

O Império Contra-Ataca é uma das melhores demonstrações da capacidade humana de criar um tipo de entretenimento que se internaliza nas mentes dos espectadores, gerando uma experiência que se perpetua durante a vida das pessoas.

Com a nova trilogia, Lucas acabou se rendendo demais às inovações tecnológicas, notadamente à possibilidade de criar cenários e até mesmo personagens em CGI (Computer Generated Images). E tirou o que Star Wars tinha de melhor: a emoção.

Mesmo se tratando de ficção científica, todo moleque se sentia próximo de Luke Skywalker e sua escalada para se tornar um Jedi. Brigas com o pai, dificuldades de adaptação no crescimento e toda uma jornada do herói que Joseph Campbell não nos deixa esquecer.

Mas George Lucas continua tentando. Quem sabe uma hora ele não consegue acertar de novo?

segunda-feira, julho 21, 2008

O mundo é nerd – Pt 1

Cavaleiro das Trevas bate recorde no Brasil
Mais de sete milhões de reais são arrecadados no primeiro final de semana do filme

Agora é fato: o mundo do entretenimento definitivamente se rendeu ao universo dos quadrinhos. Dados passados pela Warner Bros. Pictures indicam que 775 mil pessoas assistiram a Batman – O Cavaleiro das Trevas no primeiro final de semana de exibição.

Exibido em 547 salas, o filme de Christopher Nolan se tornou o maior lançamento cinematográfico de 2008 no Brasil, superando em 18% o líder anterior, Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal.

Batman – O Cavaleiro das Trevas também foi o responsável por 51,4% da bilheteria entre os 10 filmes mais vistos no País no último final de semana. O total obtido pelo longa-metragem é três vezes maior do que o segundo colocado.

É a maior abertura de um filme da Warner no Brasil, em dólares, em todos os tempos. Ficou 13% acima da marca anterior da empresa, que era Harry Potter e A Ordem da Fênix.

Na gringolândia (Estados Unidos e Canadá), TDK (como já está sendo chamado pelos fãs) obteve 158,3 milhões de dólares em ingressos vendidos e bateu o recorde de arrecadação em um final de semana de estréia, que antes era de Homem-Aranha 3. Diante dos atuais concorrentes, o filme de Christopher Nolan ficou 128,3 milhões de dólares na frente do segundo colocado, o musical Mamma Mia!.

quinta-feira, julho 17, 2008

Quando parece que nada pode piorar...

Bom, como está dito aí ao lado, sou jornalista. Isso me deixa suscetível a receber algumas bobagens. Normalmente eu nem as comento. No máximo, falo com o pessoal amigo aqui na agência mesmo. Mas esta foi a campeã do ano. Nada pode preparar o universo para isto:

CHITÃOZINHO & XORORÓ E FRESNO APRESENTAM ESTILO "SERTANEMO" NO ESTÚDIO COCA-COLA ZERO

Em 2008, o Estúdio Coca-Cola Zero estressa mais a mistura de estilos em uma série de quatro programas. Neste terceiro encontro, que irá ao ar na MTV sexta, dia 18/7, às 20h30, as diferenças não estão somente no estilo musical, mas também no tempo de estrada de cada um dos artistas. A Coca-Cola Zero coloca para conviver lado-a-lado a dupla sertaneja que consolidou a popularização do gênero, Chitãozinho & Xororó, com os quatro integrantes da banda Fresno, que foi projetada para o Brasil todo via Internet.

No primeiro programa da série, chamado "Troca de Balada", o fã de Chitãozinho & Xororó sai do interior de São Paulo diretamente para a capital, onde se encontra com o fã paulistano da Fresno. Cada um deles experimenta as baladas do outro, com direito a passeios a cavalo, ao fliperama e, é claro, aos shows de Chitãozinho & Xororó e da banda Fresno.

O segundo programa da série é o "Diário de Bordo", também com meia hora de duração. O programa acompanha um dia na vida de cada um dos artistas e mostra, a partir daí, o que eles têm de diferente. Os artistas ainda não se encontraram para os ensaios e show do Estúdio Coca-Cola Zero, mas estudam pela primeira vez a música do outro.

"Videografia" é o terceiro programa da série e coloca o expectador cada vez mais próximo do ambiente musical do show. Chitãozinho & Xororó e os membros da banda Fresno aparecem juntos pela primeira vez. Eles se encontram para uma conversa sobre vida e carreira no palco do Estúdio Coca-Cola Zero. O papo é ilustrado por clipes, vídeos e fotos da vida de cada um. O programa tem meia hora de duração.

Na quarta semana da série, chega o grande momento. Um encontro aparentemente sem lógica alguma, uma mistura de rock e música sertaneja: Chitãozinho & Xororó e Fresno juntos no palco. Com quase nada em comum, eles encaram o desafio de tocar juntos. O programa Estúdio Coca-Cola Zero mostra o que aconteceu nos quatro dias de ensaio e o show, gravado em um estúdio de São Paulo. Estúdio Coca-Cola Zero tem uma hora de duração. No repertório do show, Na Aba do Meu Chapéu e Polo, entre outros sucessos.

Sou só eu que me incomodei com o termo "Sertanemo"??? Aposto que não.
E Fresno? Fresno??? Esses moleques não sabem nem segurar uma guitarra na mão!!

E Chitãozinho & Xororó, hein? Isso é recalque por Sandy & Jr. terem feito muito mais sucesso que eles nos últimos 10 anos??

Bom, eu acho que esse é o prenúncio do fim do mundo. Daqui pra frente é só pra baixo...
Da educação capitalista

O governo e as empresas comemoram fortemente o advento da classe C como grande consumidora do Brasil atual. Para quem vende, realmente está tudo ótimo. Mas quem faz a “gestão” (entre aspas, pois isto, de fato, nunca aconteceu) do País deveria abrir os olhos para um ponto extremamente complexo, a questão educacional.

Mas o que a educação tem a ver com o consumo? Tudo! Há que se ter conhecimento e, principalmente, discernimento até mesmo para gastar.

Poucas cenas são mais cruéis: tarde de domingo na cidade de São Paulo. Uma loja do McDonalds num shopping de bairro popular. Famílias inteiras se acotovelam para ouvir um “Seu pedido, senhor?” de mocinhas mecânicas e pouco sorridentes. Crianças pulam e se penduram no balcão tentando enxergar o mundo que lhes parece fantástico se apresentando do outro lado.

Invariavelmente, famílias com filhos (e na maioria, mais de um) pedem o famigerado “McLanche Feliz”. Valor? Cerca de 10 reais. Comem as crianças (no mínimo duas), o pai a mãe e sempre também acompanha um primo ou um vizinho. A conta não sai por menos de 50 reais.

Para um grupo familiar que ganhe entre 700 e 900 reais, pagando aluguel, comida, água, luz e tudo mais, esse dinheiro faz diferença. E muita diferença. Mas como equilibrar – e agüentar – os desejos de crianças que “precisam” ter o brinquedo mais recente lançado pelo restaurante do palhaço e dos arcos dourados?

Aqui entra a questão da educação. A esse povo todo foi dado dinheiro, acesso ao crédito. Mas ninguém os ensinou a pensar, eles continuam sem a menor condição de fazer uma análise crítica do seu entorno, do mundo em que vivem.

Que não pareça ser esta uma campanha contra o McDonalds. Não é. Valem também os comerciais de brinquedos que passam no intervalo dos programas infantis. O problema é que o Mac vincula essa venda à “comida”.

A campanha é, sim, contra a política educacional emburrecedora deste e dos governos passados. Até parece que deixar que sejam abertas milhares de faculdades ajuda a formar uma população realmente pronta para lidar com os diferentes desafios da vida capitalista moderna.

Não que seja necessário ler Marx, Engels, Durkheim, Maquiavel ou qualquer outro para conseguir freqüentar um restaurante fast-food. Mas um mínimo de conhecimento gera questionamentos e evita que as pessoas sejam conduzidas como gado pela vida.

sexta-feira, julho 11, 2008

Heróis ao vivo

Alguém mais aí jogou Marvel Ultimate Alliance? Sem dúvida alguma, este é o melhor jogo de super-heróis já feito!

Com uma história envolvente, uma imensidão de personagens e inimigos legais de serem combatidos, o jogo traz aquele tipo de diversão pura e simples que lembra os velhos e bons tempos do NES e depois do SuperNES e Mega Drive, com games como Ninja Gaiden, Final Fight e Castle of Illusion e até mesmo Capitain America and the Avengers.

A tendência atual de jogos complexos demais é deixada um pouco de lado e valoriza-se a jogabilidade e emoção de poder controlar personagens como Wolverine, Capitão América, Homem-Aranha e até os improváveis Deadpool, Luke Cage e Mulher-Aranha.

Vale muito investir! Ou, se preferir as vias cada vez mais ilegais, procure pelos downloads da vida.

Fica a dica!

quinta-feira, julho 10, 2008

Beleza frutífera

A mulher mais comentada pela mídia e, aparentemente, mais cobiçada pelos homens no Brasil atual não é outra que não a avantajada Mulher Melancia. Que tem seguidoras dos mais diversos tipos: Jaca, Melão, Moranguinho...

O que todas essas mulheres têm em comum, além do fato de não serem o padrão de beleza das passarelas e editorias de moda? Elas são a síntese das mulheres de verdade do Brasil. Das mulheres que estão nos pontos de ônibus, nas escolas, padarias e escritórios.

Mulheres que não seguem a estética famélica que o mundo da moda tenta impor. E que mesmo assim são capas de “Playboy” e “Sexy”. Com isso, democratizam a beleza, dão a todas a possibilidade de se sentirem desejadas.

Algo que, na verdade das ruas, sempre aconteceu. As mulheres mais “carnudas”, como diz o povo, sempre foram as mais desejadas. De um ponto de vista até mesmo biológico, os homens tendem a procurar mulheres cuja configuração corpórea passe a idéia de que pode ser uma boa reprodutora – e uma das marcas são exatamente as coxas e a cintura mais largas.

Por isso, que surjam cada vez mais mulheres, sejam elas jacas, melões ou mesmo pepino – como aquelas com quem o Ronaldo Fenômeno se envolveu. Mas que não se esqueçam das mulheres-folhas, as tão lindas magrinhas, pois há lugar no mundo para todas as belezas.

Mas que fique claro: aqui, o apoio é dado a uma nova visão estética, menos travada e contra as exigências diabólicas de um tempo no qual a imagem vale mais do que a essência. E não ao excesso gritante de vulgaridade envolvido nas danças (?) e músicas (?) produzidas por essa fruteira toda. Disso, não se faz nem uma limonada.

terça-feira, julho 08, 2008

Um herói de verdade

UAU! Somente assim, com uma imensa interjeição, é possível descrever Batman – O Cavaleiro das Trevas. O filme que Christopher Nolan criou, junto com excelente elenco formado, essencialmente, por Christian Bale, Heath Ledger, Gary Oldman e Aaron Eckhart, leva as adaptações de quadrinhos para um outro patamar: o da realidade.

Não estamos falando aqui de produções como “300” ou “Sin City”, que levaram as HQs para a tela, reproduzindo cores e cenas fielmente. Em O Cavaleiro das Trevas, o que ocorre é a transposição para o mundo real (ou pelo menos tão real quanto o cinema permite) de todo um universo que até hoje havia existido apenas nas páginas e nos desenhos animados.

Acreditar em Batman, da forma pela qual ele é mostrado nesta produção, é algo simples, natural. Diferente de “Quarteto Fantástico” ou “O Incrível Hulk”, que partem do pressuposto de que é algo incrível e necessariamente irreal que está se passando, neste filme a idéia primeira é de que tudo aquilo poderia estar acontecendo ali do lado, em nossa própria vizinhança.

A realidade apresentada pelo filme é cruel, sofrida e dura. Tal qual aquela que vemos todos os dias. Pode parecer estranho dizer isso de um filme cujo personagem principal é um homem que se veste de morcego. Mas é possível porque Nolan se leva a sério. E leva o filme que fez mais a sério ainda.

Aqui não há espaço para brincadeiras espirituosas, como as que Tony Stark fez em “Homem de Ferro”. Bruce Wayne é um homem que não tem tempo para futilidades. Ele tem a missão árdua de limpar uma cidade suja até a alma e afundada no caos trazido por inimigo novo e letal. Trata-se de uma tarefa que o dilacera emocional e fisicamente, mas que precisa ser cumprida. No máximo, Wayne se esforça para manter seu disfarce.

O inimigo não é ninguém menos do que o Coringa, numa atuação monumental de Heath Ledger. Seu “palhaço” é doentio, verdadeiramente aterrador. É até macabro dizer, mas depois de assistir ao filme e vê-lo ter feito tão bem um personagem com tamanha dose de insanidade, pode-se tentar compreender o que o levou a uma overdose de medicamentos.

O Coringa aqui não é o “Príncipe Palhaço do Crime”, atacando com um martelo verde gigante. Este é o psicopata de “Asilo Arkham”. É o demente que mata o Robin com um pé de cabra em “Morte em Família”. É, como ele mesmo diz em uma cena, “uma força incontrolável”.

O vilão cria um clima soturno, uma dor na boca do estômago que teima em não passar até o final do filme. E nessa cruzada pró-caos, ele não está sozinho. Sem estragar nada para quem ainda vai assistir, digamos que O Cavaleiro das Trevas demonstra que a justiça tem muitas faces.

Mas é preciso dizer que não é só Heath Ledger quem se supera. Todos estão muito bem. A atuação segura de Christian Bale, por exemplo, é fundamental para o alcance da dramaticidade e verossimilhança que permeiam toda a película. Morgan Freeman e Michael Caine, coadjuvantes nos papéis de Lucius Fox e Alfred, respectivamente, possuem poucas falas. Mas todas são ótimas e realizadas com intensidade e sentimento.

Para os fãs de quadrinhos, fica a certeza de que – definitivamente - o nosso Batman ganhou vida. O Cavaleiro das Trevas faz jus ao nome que emprestou da obra-prima de Frank Miller. Não, não há temas daquela HQ. Mas o impacto que o filme deve trazer para um mercado inundado de adaptações de gibis é semelhante ao que foi criado no já longínquo ano de 1986, quando aquela revista foi lançada.

O sentimento é de que Gotham (e todos nós, como se lá vivêssemos) finalmente tem o herói que merece e que precisa. Batman vive e eu acredito nele.

segunda-feira, julho 07, 2008

A tal Lei Seca

O advento de uma nova regulamentação a respeito da tolerância (ou ausência dela, melhor dizendo) à combinação álcool e direção vem movimentando o noticiário e é, inevitavelmente, assunto de mesas de bar por todo o País.

Quem teve a oportunidade de dirigir por São Paulo à noite, no final de semana, já pode perceber claramente os efeitos da nova lei.

Aonde antes havia jovens alterados, com latinhas de cerveja às mãos, gritando e dirigindo de forma imprudente, agora se vê apenas tranqüilidade e até um bocado de silêncio. Essa era a cena nas imediações da Vila Olímpia, por volta da 1 da manhã de sábado.

Os donos de bares e casas noturnas podem até estar chateados. Mas que a lei está fazendo bem à população, isso é inegável. A diminuição do nível de estresse das pessoas no trânsito noturno é nítida.

Conversava dia desses com uma amiga que é cantora e trabalha na noite. Ela contava das atrocidades que já viu ao voltar para casa depois do trabalho, lá pelas 4 ou 5 da matina. E ela dizia também de como notou que estava bem mais fácil chegar após a introdução da lei. “O medo que eu passo ao atravessar um cruzamento, pensando que um louco bêbado passaria no vermelho, diminuiu bastante”, comentou.

O que os antagonistas dessa regra precisam se acostumar é a pensar que existe diversão mesmo sem álcool. E quem precisa desse combustível para se soltar, que procure um bom terapeuta e exorcize seus próprios fantasmas.

A saúde pública agradece, como mostra a pesquisa.


sexta-feira, julho 04, 2008

Há leis que não podem ser quebradas

O futebol, além das regras declaradas nos livros e regulamentos, possui outras leis. São aquelas não-escritas, criadas sabe-se-deus por quem. Mas desde o momento em que houve uma trave e pessoas correndo atrás de uma bola, elas existem.

E não importa se os fatos transcorrem num campinho de terra ou no Maracanã. As leis apócrifas agem com precisão e não falham jamais (diferente até, de muitos momentos de suas irmãs que enchem páginas e páginas).

A última passagem dessa história ocorreu na última quarta-feira, quando o Fluminense de Renato Gaúcho enfrentou a LDU, do Equador. A lei infringida pelo time carioca foi a da soberba.

Como dizem no interior, "contaram com o ovo no cu da galinha". Ou seja, esqueceram-se que havia um adversário a ser enfrentado e que, como o próprio nome já diz, iria se colocar para ganhar e, assim, impedir que o outro vencesse.

A festa que a torcida fez no treinamento, soltando fogos, levando faixas e tudo mais, extrapolou o limite do incentivo e virou festa adiantada. E é nesse momento que quebraram as regras.

Não seria diferente: o castigo veio. E da forma mais dramática e sofrida possível. Os três craques do time perderam suas cobranças. Aí só restou ao Maracanã o silêncio, as lágrimas e a comemoração de uma equipe trabalhadora, simpática e humilde, vindo do mais humilde ainda Equador.

P.S: Fica ainda a pergunta: seria o Maracanã o túmulo do futebol brasileiro? Porque está difícil de ganhar um título internacional ali. Que soem os avisos para a Copa de 2014.



quarta-feira, julho 02, 2008

Sob a asa do Morcego

2008 está sendo um ano pródigo em filmes baseados em histórias em quadrinhos e nerds em geral. Hulk e Homem de Ferro sendo os melhores exemplos até aqui.

Mas ninguém está preparado para o que vem por aí com Batman - o Cavaleiro das Trevas. Hypado pela inesperada morte de Heath Ledger, a expectativa em torno do filme é enorme.

Na primeira parte deste blockbuster, o diretor Christopher Nolan já deu um show, acompanhado pelo excelente ator Christian Bale. Com tudo já bem conhecido, a tendência é que possa ser visto algo ainda maior e melhor nas telas.

A escolha do Coringa para o vilão deste segundo filme não poderia ter sido mais feliz (sem nenhum trocadilho com o palhaço do crime). A insanidade do personagem precisava de mais espaço para ser explorada - algo muito complicado de ser feito num filme de origem, como foi Batman Begins.

E ainda por cima há a aparição (prometida) do Duas-Caras, o ex-promotor público Harvey Dent. A dicotomia herói-vilão propiciada por esse3s dois personagens e o herói h0omem-morcego é das mais interessantes já criadas nas HQs.

Tudo mostrado até agora aponta que a tradução para a película foi a melhor possível. Veremos. A contagem regressiva para o melhor filme do ano já começou.

Enquanto isso, que se mordam os cotovelos com os trailers:


segunda-feira, junho 30, 2008

Ponto de Partida

É preciso dizer que este não é mais um blog diarinho. Sim, este já foi um blog diarinho. Sou do tempo em que blogs diarinhos eram moda entre gente que queria ser bacana e também entre aqueles que tinham tendências "emo" antes mesmo desse termo existir.

Confesso que me enquadrei em ambas as categorias.

Mas agora mudou. A idéia é fazer algo que possa ser considerado, mesmo que remotamente, jornalístico. Talvez em alguns momentos também literário. Só não dá mais pra ficar com choramingos, letras de música, testes e bobagens desse tipo.

Ainda assim, não vou tirar o histórico. Pois faz parte da minha vida e não tenho motivo nenhum para me desfazer do meu passado. Pelo contrário. Tenho orgulho dele, pois me trouxe até aqui.

Então vamos lá... daqui pra frente mais coisas devem surgir.

Quem viver (e tiver paciência), verá.

quinta-feira, junho 26, 2008

“Logo depois de ‘A Favorita’, mude de canal...”

A reestréia da novela “Pantanal” está causando furor na televisão brasileira. E muita gente que nem lembrava da atração (como eu mesmo) agora pode assistir a um festival de pessoas nuas pelos rios do Centro-Oeste brasileiro. O público parece estar gostando, dado os números da audiência. Na terça-feira, por exemplo, ganhou do “Aprendiz” de Roberto Justus.

Assistindo à novela pode-se perceber quais são os traços que mais são ressaltados na produção e trazem esse sucesso. Claro, temos a profusão de bundas, peitos e tudo mais. Mas existe um outro ponto, mais conceitual, nessa história: a empatia.

Diferente do que acontece nos tradicionais folhetins globais, em “Pantanal” os personagens agem e falam como gente de verdade – e não como bonecos inanimados que supostamente povoam o bairro do Leblon, no Rio de Janeiro.

Há uma verossimilhança brutal com o interior do Brasil. É um contraste enorme em relação, por exemplo, à própria novela “A Favorita” – com seus políticos caricatos, mães disputando filhas e sindicalistas heróicos.

Mesmo quando entram elementos de realismo fantástico, como a mulher que vira onça e uma entidade que povoa a beira dos rios fazendo justiça, há uma aproximação com o dia-a-dia do caipira. E digo caipira aqui sem nenhum preconceito, muito pelo contrário. Digo caipira com o orgulho piracicabano pulsando no peito. Caipira no sentido de pessoa simples, do interior, com toda sua sabedoria antiga embarcada na forma de entender o mundo.

Pois quem já viveu ou passou pelo interiorzão sabe que sempre há uma história mal-contada. Um mito surgido não se sabe de onde. É mãe de um vizinho de um primo que é bruxa. Ou outro que mora logo ali na rua de baixo e que se parece com um lobo...

E assim “Pantanal” vai conquistando mais adeptos, mesmo 18 anos depois. Simplesmente porque ali o povo olha e consegue se ver sem nenhum artifício ou barreira entre si e a tela luminosa.



quarta-feira, junho 25, 2008

Este é o primeiro post de uma nova fase.

Bem-vindo ao "It'a all about insanity" - VERSÃO 3.0!!!

quarta-feira, setembro 13, 2006

Tô achando que vou voltar a fazer alguma coisa com isso.

Mas vai ser bem diferente, algo mais... jornalístico, se é que eu ainda posso usar essa palavra.

Nada mais de diarinho choraminguento, pq passou a fase, né?

Se alguém ainda lê essa pindonga, aguarde. Daqui a pouco (ou seja, em mais ou menos 6 meses) volto a escrever.

Por enquanto, FUI!
Aquele abraço

quarta-feira, abril 26, 2006

Muito tempo se passou... pode-se dizer que este espaço praticamente acabou. Não foi totalmente terminado porque decidi não apagar nada feito aqui. São marcas importantes numa trajetória complicada, mas que culminou em algo muito, muito bom.

Este espaço serviu como recipiente da minha solidão por muito tempo. Mas esta solidão acabou por um único e determinante motivo. E isso merece ser sempre lembrado:

EU TE AMO, ALEXANDRA!!!

Você transformou minha vida, me fez uma pessoa melhor, me completou.
Obrigado por fazer cada dia melhor do que o anterior.

terça-feira, agosto 17, 2004

Hey ya!

Ufa! Foi difícil chegar aqui... fazia tanto tempo que eu não escrevia que a poeira tomou conta da porta, quase não consigo entrar.

Bom, estamos aí, vivos e tudo mais. Ando sem tempo pra escrever. Mas não é só isso, pq já tive tempos de correrias piores e ainda assim escrevia todos os dias.

Acho que o que está rolando é que o blog foi sempre pra mim, basicamente, um local onde eu despeja toda a minha tristeza e meu amargor. E onde eu tentava me encontrar e encontrar alguém, pois a solidão estava sendo minha companheira há tempo demais.

Acontece que hoje esse quadro mudou. Não tenho mais que buscar dentro de mim, em locais profundos e escuros demais a força que eu preciso para seguir em frente. Encontrei aquele alguém que me fazia tanta falta. Percebi que eu não era um como pensava. Era meio. Só agora estou completo. Só agora sou realmente um.

Aqui neste espaço eu fui da depressão à euforia, do entusiasmo ao desespero. Sempre na porrada. Sempre extremos. Faltava (e muito) equilíbrio - algo que eu consegui encontrar agora. Não tenho mais aquelas explosões de outrora. Sigo uma linha firme e decidida rumo ao ideal. E isto já está bem mais perto do que eu esperava.

Dessa forma, não há mais lugar para o que já foi. Mais uma vez este blog deve passar por mudanças. Quero, definitivamente, investir nas minhas idéias. Este pode ser o embrião de algo maior e com muito mais alcance. Ainda não tenho bem certo o que vou fazer - só sei que vou fazer.

Vejo o mundo ao meu redor e percebo que as dificuldades pelas quais passei (e ainda passo) me fizeram ficar ainda mais forte. Eu posso mais, eu sou mais. E nada vai me parar - não adianta nem tentar.

Aguardem. O caminho é longo, mas está apenas começando a ser trilhado.

Não se preocupem pq eu volto...

quinta-feira, agosto 05, 2004

Força

Tem dias em que você pode sentir, na brumas da manhã, os olhos que fomentam a discórdia e alimentam a inveja contra você.

É possível ver claramente todo rancor sendo espumado naquelas bocas podres. Sentimentos demasiadamente ruins.

Aí, sem nem ligar para o assunto, você liga o rádio da Internet na http://virginradio.co.uk, escolhe a versão classic rock e ouve o sr. Bruce Dickinson e o IRON MAIDEN mandando um Run to the Hills. Pronto! Seus problemas acabaram!

Não há mau humor, inveja ou olho gordo que resistam a uma boa dose de Heavy Metal!!


sexta-feira, julho 30, 2004

Teste

Taí uma coisa que eu não fazia há tempos, um teste!

E o resultado não poderia ser outro mesmo...

Morpheus rules!
Neil Gaiman na veia!

Vejam:
Morpheus
Morpheus

?? Which Of The Greek Gods Are You ??



Verdades incontestáveis da modernidade

Lan House é fliperama de viadinho


quinta-feira, julho 29, 2004

Reality show

Vai menino.

Ser menino até quando?

Sonha criança.

Mas não se esqueça de acordar. 


quarta-feira, julho 28, 2004

Questionário

Quando sua mente parecer falhar e até mesmo seu coração estiver sem direção, ouça a voz do seu corpo.

Veja como a sua morada física reage às situações. Observe as dores (ou ausência delas), o conforto,  o calor. O quão bem você se sente em determinada posição e companhia.

As respostas estão aí. É só querer ver.

quinta-feira, julho 22, 2004

Day of freedom

Cantem, cantem irmãos! Pois este é o dia da liberdade!

A batalha se encerrou e é chegada a hora de comemorarmos, pois nossa luta foi justa e árdua.

Cantem, cantem irmãos!

O inimigo usou de ardis terríveis. Ao invés de travar um combate justo, utilizou-se das formas mais terríveis de guerrilha.

Mas ainda assim nos sagramos vencedores.

Cantem, cantem queridos companheiros!

É uma vitória da vida, da Luz! Os inimigos, baixos e loucos como são, preferem não ver a verdade. Ou estão se fingindo, pois a dor que sentem deve ser lancinante.

Cantemos juntos até o amanhecer. Este não tarda chegar, já que o Sol não quer furtar sua presença de tão honrosa comemoração.


segunda-feira, julho 19, 2004

Limite
 
Não há sensação melhor do que a de estar à beira do penhasco, prestes a dar o passo derradeiro.
 
Em especial quando se tem a capacidade de voar.
 
 

sexta-feira, julho 16, 2004

501
 
Este é o número deste post. O quinquagésimo centésimo primeiro deste blog.
 
Cacete, escrevi pra caramba já...
 
Quanta água passou por debaixo desta ponte. Batalhas foram vencidas e perdidas, monstros foram destruídos, alianças foram formadas... e, no final, eu consegui sobreviver para contar a história.
 
Olhando para o que passou, tenho a sensação do dever cumprido. O que aconteceu pode não ter sido (e, certamente, muitas vezes não foi) o melhor. Mas eu fiz o que achei que deveria ter feito. Não me arrependo de nada. Curti, senti, vivi. E agora o momento é outro.
 
É chegado o ponto em que os sonhos vão se consolidar e criarão outros maiores. Porque, no final, o que todos querem é uma casa com cerquinha branca e uma família de seriado americano.
 
Hehe...
 
Me aguardem...
 
 
 
 
 

terça-feira, julho 13, 2004

The Ballad of two in one

Foram dias confusos aqueles. Era impossível se lembrar de como e quando tudo aconteceu. O início, isso dava para saber, foi numa noite de terça-feira. E estava quente... e úmido.

O fato era, que desde aquele momento tudo havia mudado. No começo, houve receio. Depois descrença. Era difícil acreditar que algo tão bom estava acontecendo. O vendaval passou e foi conduzindo a vida. Sem pensar, sem pedir licença. Sem nem se preocupar.

Mesmo sendo complicado, havia uma ordem por trás daquilo tudo. Um sentimento de organização. Isso trazia tranqüilidade, conforto – mesmo quando tudo rodava e rodava, sem parar.

E o tempo, inevitavelmente, passou. O momento agora é de calmaria. De construção e projeção. Ampliar as conquistas, degustar as vitórias e – se preciso – curar as feridas.

Mas o paraíso estava muito próximo de ser alcançado, isso era certo. E a certeza residia no fato de que não havia mais solidão. E de que a força da Luz que brilhava ali era muito maior do que qualquer escuridão, vinda deste ou de qualquer outro mundo.